quinta-feira, 19 de abril de 2018

Tumulto nos trópicos




Sobre Tropykaos (2015), filme de Daniel Lisboa

Por Clara Romariz (Companhia Teatro dos Novos)

Tropykaos... O que é que vinha à minha mente, enquanto eu caminhava pela Avenida Sete tentando embarcar neste nome? Carmen Miranda… tropicália, bananas ao vento; sol a pino no Porto da Barra. Através do tumulto de calcinhas a dois reais, homens gritam em microfones promoções imperdíveis (Ricardos Eletro de rua), venda de vinis de música brega, um copo de água de côco de quatro reais e calor, muito calor: finalmente, chego ao cinema. Na sala quatro, com um forte ar condicionado, um Edson Celulari cego conta vantagem projetado no telão. Respiro. Entra no cinema um grupo de cinco pessoas. Um casal logo a seguir. Cochichos. Às vezes, risos frenéticos. Alguém respondia a cada palavra que Guima, o nosso protagonista, proferia. 

Primeira cena: um ônibus exibe a marca “Tropical”. Guima surge de casaco. Na sala, o ar condicionado me gela. O calor do homem inflama seus movimentos epilépticos. Ele morreria por um refrigerador cerebral; eu apenas quero me concentrar. 

"Ó paí, vei. Ó pro cara", fala alguém daquele grupo de cinco pessoas. 
Minha mente não para.

E se eu fosse fazer um brainstorm do filme? O que escreveria? CALOR = sol, queimadura (exposta), praia, óleo, febre de 38 graus, dor, aparelhos de refrigeração, fogo, inferno. Inferno este que se mostra na cena com Edgar Navarro representando uma espécie de demônio messiânico contemporâneo. Uma possível referência às igrejas evangélicas? Talvez. O lugar do culto, travestido com outro nome, era similar. A mesma forma catártica de se expressar. O demônio, personagem alegórico, saía de uma máquina de bronzeamento artificial. O fogo do inferno foi mercantilizado.   A venda da fé, aquela que conhecemos de longa data, se mostra através dos olhos alvoroçados de Guima. 

 Minhas ideias frenéticas são reproduzidas, uma por uma, na tela, aos olhos do poeta que não consegue escrever. Não há idealização neste ponto. Não há herói endeusado. Rico e sofrido, como em A Grande Beleza (2013). Ou rico com forte vontade de mudar radicalmente de vida como em Na Natureza Selvagem (2007). Não há crise de identidade, trauma, ou qualquer outra obviedade, que cansamos de ver no cinema. Toda a sua impotência é causada pelo calor. 

“Mas por quê?” - eu e o grupo (que não parava de tagarelar) nos perguntávamos. Por que é que ele não tira o maldito casaco? Que pergunta infantil era aquela. Pergunta que não acrescenta, seguramente nem importa para a narrativa. Me sentia igualmente na oitava serie quando Nubia, minha professora de literatura, passou A Metamorfose como livro paradidático. "Por que ele vira barata?",  nos perguntávamos, atônitos. "Isso não importa para a narrativa. Vejamos a cena da maçã que…”. “Mas por que ele vira uma barata?”. Era a mesma asneira juvenil.

O caos das ruas, praças e praias de Salvador vai tomando a tela. O mesmo caos que eu enfrentava na minha jornada rumo ao cinema. A tela é igualmente tomada por Guima, um rapaz de família rica que mora na periferia com um homem que fuma crack. O suave fogo do isqueiro que acende o fumo se mostra com máxima força, através de chamas que fariam agonizar, mas que são tratadas com naturalidade pela narrativa. Ao contrário do fogo, do calor e do sol que servem como sustentação para a história, aparecem episódios que são, à primeira vista, supérfluos. Massagem na praia de Stella Maris. Capoeira no Porto da Barra – tem algo mais tipicamente soteropolitano? Bar de poetas inconvenientes - "Por que você não escreve, Guima? Não sabe mais?”. Sexo terno. Estátuas suando: a cena mais surrealista do enredo. Chuva de imagens distribuídas pelo filme.

Saio atordoada já que, como diziam Os Mutantes, “Meu refrigerador não funciona”.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Apesar dos caracóis

Foto: João Millet Meirelles



A partir de “Espelho para Cegos”, montagem do Teatro dos Novos, do Teatro Vila Velha

Por Daniel Guerra

Digamos que a recente prisão de Lula fosse encenada por Zé Celso e o Teatro Oficina. A peça escolhida para fazer de alegoria ao acontecimento histórico mais marcante do último mês poderia bem ser uma remontagem de As Bacantes, de Eurípedes. Capturado à força pela armada do rei Penteu, Dionísio - o deus banido que trouxe o delírio, o gozo e a liberdade às proto-feministas áticas - é finalmente levado preso ao porão de um castelo. Mas é conduzido até lá com um estranho sorriso estampado no rosto. Até aí, Penteu não entende nada daquele sarcasmo. Mas eis que à noite acontece a grande revelação: Dionísio se transforma num enorme touro de fogo e destrói as muralhas da prisão. Sai dali voando. Zé Celso, provavelmente, botaria o juíz Sérgio Moro no lugar de Penteu e o ex-presidente Lula no de Dionísio.

Assim como de deus degradado passa-se a animal mítico superpoderoso, o homem Lula, assim como proferido pelo próprio e reproduzido pelos microfones, celulares e câmeras, torna-se, agora, uma ideia. 

Em todo imaginário político, transformar-se em ideia é sempre transformar-se em algo mais forte. De repente aquele corpo torna-se um corpo-sem-órgãos. Suas partes se espalham pela multidão. Antropofagizado, Lula torna-se todos os corpos presentes, unidos e pactuados na unidade de uma luta performada.

Mas quando Lula transforma-se numa ideia, diferentemente de transformar-se num touro de fogo ou algo que o valha, transforma-se também numa informação. Foi assim que no programa Fantástico de domingo, os dois apresentadores passaram tanto tempo descrevendo onde ficaria encarcerada aquela ideia. Apresentaram a sua cela numa animação 3D: um apartamento minúsculo, possuindo o bastante para as suas necessidades. A ideia, afinal, precisa dormir, caminhar, comer, ler alguma coisa, cagar, mijar e tomar banho. Em um site, cheguei a me deparar com a espantosa notícia: “Lula não precisará raspar o cabelo e nem cortar a barba”. 

O homem-ideia apareceu em jornais do mundo inteiro, pintado de muitas maneiras. Numa das fotos mais compartilhadas na timeline progressista (a minha, diga-se de passagem), Lula é visto de cima, carregado nos braços de uma multidão vermelha. Tudo parece um furacão autônomo e poderoso, e a foto, tirada provavelmente por algum Peter Parker, deve ter sido replicada por milhões de pessoas mundo afora.

No meu WhatsApp, mensagens com artigos confrontando visões. Dois jornais postos em cima de uma mesa: a manchete d’O Globo trazia em caixa alta: “LULA PRESO”. Aqui o homem-ideia chega indigente, criminoso, levado por uma turba de jornalistas e militantes para algum lugar, que a julgar pelo título, só poderia ser as portas da prisão. A foto é tirada de um ângulo estranho, enviesado, que torna o homem-ideia mais velho, mais cansado, e, principalmente, mais sofrido. Os flashs brancos das câmeras ajudam na degradação geral. Já no Jornal do Brasil, vemos a ideia encarada de frente, carregada nos ombros de alguém. Com as mãos, segura as mãos do povo, em sinal de coragem para o que há de vir. Aqui já temos um horizonte. Há algum céu, mesmo que nublado. Mas o que importa são as gloriosas bandeiras vermelhas atravessando a imagem. A ideia sorri. A manchete “Lula se entrega” me faz relembrar o sorriso enigmático de Dionísio sob o jugo de Penteu. 

De fato, uma ideia carrega a promessa da eternidade. Disso já sabiam os egípcios e os platônicos. Che Guevara sobrevive em camisas e no imaginário popular. Não por coincidência, reapareceu muitas vezes, em muitas dessas imagens produzidas durante a semana. 

Uma ideia também pode agregar, finalmente, posições da esquerda até agora conflitantes. Em torno da ideia de luta, unem-se, num lapso incrivelmente curto de tempo, a esquerda progressista, a anarquista, a social-democrata, a socialista, a comunista, etc. 

Mas, para além da escassez de provas contra Lula e do hiperpunitivismo latente na sociedade policialesca que temos encarado nos últimos tempos, e para além das reais transformações sociais ocorridas durante o período em que o PT esteve no poder, advém, ainda assim, o recado de um certo longíquo francês, escrito no livro A Sociedade do Espetáculo. Nos fala Guy Debord: “Os pseudoacontecimentos que se sucedem na dramatização espetacular não foram vividos por aqueles que lhe assistem; além disso, perdem-se na inflação de sua substituição precipitada, a cada pulsão do mecanismo espetacular.

Com esse livro, o pensador ativista, que viveu fervorosamente a Paris de 68, nos coloca na posição de espectadores. Então nos pergunto: qual a nossa posição frente a tais espetáculos? E principalmente: que tipo de espectadores somos ou deveríamos ser?

Não pergunto a todos, a uma massa anônima em geral, não pergunto a um coletivo de pessoas, nem a um movimento político em particular. Pergunto a cada um de vocês. De novo Debord: “(…) o que foi realmente vivido não tem relação com o tempo irreversível oficial da sociedade e está em oposição direta ao ritmo pseudocíclico do subproduto consumível desse tempo. Esse vivido individual da vida cotidiana separada fica sem linguagem, sem conceito, sem acesso crítico ao seu próprio passado, não registrado em lugar algum”.

Tudo tenderia, portanto, a deixar o sujeito-cidadão contemporâneo cego, surdo, mudo e esquizofrênico frente ao frenesi das informações, pseudotransformações e “pseudoacontecimentos” políticos. Mas os limites que definem o espaço íntimo e o espaço público são demasiado frágeis. Desde 2013, pelo menos, vemos que o campo público brasileiro tem invadido o nosso íntimo de maneiras terríveis e absurdas. O vampirismo de Temer não é apenas um fato político. É um fato estético. Ele mora em alguns pesadelos, e - ao menos da arte não podemos fugir -  saiu ornado com penas de pavão, recentemente, no carnaval da Paraíso do Tuiuti.

Finalmente: em que estado se encontra o seu ódio ou a sua depressão?  

Relendo “Os Demônios”, imensa tragédia política de Dostoiévski, fico sabendo que o escritor dedicou este romance a uma série fatídica de suicídios ocorridos durante a Rússia dos Czares, na época, em plena derrocada. Era o niilismo chegando com sua carga terrorista, pronto a dar lugar, já mais próximo ao século XX, ao bolchevismo revolucionário e depois ao stalinismo. “Cortar cabeças é mais fácil do que ter ideias”, diz, num lapso de bom-senso irônico, um dos demônios dostoievskianos.

Numa entrevista, o psicanalista C. G. Jung diz que antes do início da segunda guerra mundial, seus pacientes já sonhavam com as batalhas. 

A história arromba os lares ou entra pelas frestas das portas, assim como uma das pragas do Egito.

No dia em que adentrei o teatro Vila Velha, escurecido por luzes laranjas laterais, eu tinha amanhecido meio triste e sonolento. Não sabia direito o que me fazia amolecer e cair da cama como um verme kafkiano, e depois rastejar até o banheiro carregando às costas uma casca de caramujo do tamanho de um planeta. Claro que aí haveria toda uma carga sentimentaloide dos últimos meses vividos por um artista representante da classe média cultural deste país desgovernado. Mas havia algo mais. 

Isso fui descobrindo aos poucos, dentro do próprio espetáculo. Em Espelho para Cegos, mais recente reposição do Teatro dos Novos, à medida que as mulheres de vestidas de preto falavam seus textos à minha frente, eu ia me dando conta que as pragas políticas a nos envenenar homeopaticamente eram ao menos três. Havia os caracóis que paralisavam as pessoas e saíam pelas suas bocas durante qualquer palavra proferida, deixando-as mudas; havia as borboletas que comiam pouco a pouco os corpos das pessoas, e havia o animal-chuva, que, caindo invisivelmente sobre tudo, deixava de pé somente as cascas: todos os conteúdos, as carnes, os ossos, os pensamentos, as palavras, corriam pelas bocas-de-lobo das ruas. No início da peça, no escuro, um cadeirante é consumido lenta e prazerosamente por um pequeno pet de cinco bocas. O animalzinho asqueroso vai subindo pelas suas pernas até atingir o sexo, e finalmente a cabeça. O falante atingiu o orgasmo total, fatal, final. Talvez ele gostaria de, simplesmente, desaparecer.

Espelho para Cegos, desde o título, anuncia a que tipo de espetáculo são chamados os espectadores. Se o realismo clássico pediria um espelho limpo e bem posicionado, para que uma burguesia em ascensão pudesse reconhecer ali suas próprias “humanidades”, Matéi Visniec, com seu absurdismo a la Ionesco, oferece-nos um espelho fosco, feito da mesma matéria das “nossas retinas tão fatigadas” (perdoa-me Drummond pelo furto). Mas talvez fosse Fernando Pessoa quem soubesse traduzir melhor essa sensação: “Somos dois abismos - um poço fitando o céu.”

Aqui não se oferecem promessas para o futuro, se é que podemos ver na aparição pan-africana-indígena-latina da mulher negra ao final como uma esperança no fim do túnel. Espelho para Cegos tenta dar conta de um mal-estar geral. Daquele mal-estar que Debord soube traduzir tão bem como “sem linguagem, sem conceito…”. Mas à arte não pode ficar reservado o papel da mudez. E se a ela lhe delegam isso, é no silêncio que irá gritar mais forte.

Os vários monólogos que compõem a costura da cena nunca tranquilizam, mas transformam em texto agonias, pesadelos, angústias, fantasmas e sensações que nós, em nossos momentos de vigília na noite, naqueles momentos fora da internet ou fora de algum coletivo de luta, virtual ou físico, quero dizer, na insônia ou no café da manhã, trazemos como uma casca de caramujo do tamanho de um planeta.

Não é fácil falar de política neste século. Tampouco entendê-la. Muito menos se posicionar confortavelmente de um lado ou de outro. Mas de alguma forma, a imagem que fica em minha cabeça não é apenas a do poder da mulher negra entoando seu canto de invocação às forças da dissidência mundial. Fui dormir com a imagem do corredor incansável, que, atravessando toda a cidade, termina, em pele viva e ensanguentado, à noite e nu, dentro do mar: “No mar é preciso entrar limpo, sempre”.  Eu diria: “No mar só se pode entrar só.”

segunda-feira, 2 de abril de 2018

A Barril chega ao Vila: outras experiências



Por Daniel Guerra

Entre a Revista Barril e o Vila Velha há uma diferença clara de idade. Nós mal comemoramos o segundo ano e o Vila já avança no seu cinquentenário. Mas entre o balbuciar de revista jovem e a vasta experiência desse teatro fincado no centro da cidade, terminamos encontrando - de maneira um tanto misteriosa - uma linguagem bastante própria, de modo que se podemos apenas esboçar as primeiras marcações nesse terreno relacional, é ao porvir da experiência que pertencem os frutos inesperados.

Na vida, é sempre difícil identificar as causas dos encontros. Entre nós não seria diferente. Sabemos que o Vila já passou por várias temporadas: mudanças de atores, de diretores, entradas e saídas de grupos, pendengas financeiras e ascensões meteóricas, e se a Barril chega nesse barco justo agora, no final de uma década ameaçada por diversas intempéries e turbulências é porque deve existir aí – ou assim preferimos acreditar – qualquer coisa de muito pujante.

Mas, assim como a juventude nunca é necessariamente a promessa do novo – como o quer a turba dos publicitários – está longe de nós querer trazer ao Vila qualquer novidade. Até porque é o Vila mesmo, como prova a sua história, que possui o novo como força motriz para a ação. Basta lembrar o nome do seu grupo fundador, a Sociedade do Teatro dos Novos, que aliás ressurge hoje com novos integrantes, como a marcar a um só tempo uma mudança de rumos necessária e um retorno alegre do que já morreu, como acontece em muitos rituais.

A criação da universidade LIVRE do Vila foi um passo importante para a cidade, e em termos nacionais, acena para novas possibilidades de ensino e produção - basta que os olhos e ouvidos se atentem. Num país em que o conhecimento, a teoria e o pensamento sobre arte insistem em permanecer confinados dentro dos muros acadêmicos, fundar um espaço onde a criação de espetáculos esteja intimamente relacionada ao labor intelectual e à produção de condições materiais significa trazer ar fresco a um lugar abafado.

Quando fundamos a revista não tínhamos ideia da proporção que ela tomaria. Imediatamente tivemos os melhores retornos. As pessoas vinham até nós com os olhos e os dedos cheios de desejo, dizendo que finalmente vislumbravam um espaço para a crítica na cidade. É sabido que os jornais impressos não dão conta do recado, e os blogs pessoais ou coletivos subsistiam por muito pouco tempo, e mesmo assim, sem a disciplina editorial que nos impusemos a nós mesmos. Mas intuímos que, mais do que isso - e o mais importante -, estamos colaborando, pouco a pouco, a estimular por estas bandas uma atmosfera intelectual.

É óbvio que para a sustentação dessa atmosfera não basta que surjam uma ou duas iniciativas isoladas. É preciso que brotem pontos de inteligência aqui e ali; que as pessoas se ponham cada vez mais a escrever e a não ter vergonha de mostrar seus pensamentos; é preciso que novos coletivos se organizem, e que o conhecimento gerado por um e por outro atravesse todos os lados. Um campo de arte fértil, em qualquer lugar do mundo, é aquele que abriga em si, concomitantemente às obras, uma fervilhante produção intelectual.

Por isso, já na chegada, nós e o Vila propusemos uma oficina chamada Escritas da Cena, que será ministrado por três editores da Revista Barril: Amine Barbuda, Daniel Guerra e Igor de Albuquerque. As inscrições serão abertas a qualquer um que mostre interesse pela escrita e pela cena. Ao mesmo tempo o ESCRITAS DA CENA se constitui como o embrião de um novo laboratório dentro da própria Universidade Livre, cujos participantes estão convidados a atuar.

Paralelamente, inauguramos aqui, neste espaço virtual, a Vila Barril. Este é o selo que marca a união das duas iniciativas. Os textos produzidos tanto pelos participantes dos laboratórios quanto pelos integrantes da universidade LIVRE e do Teatro dos Novos serão publicados periodicamente nessa plataforma. Serão resenhas e críticas de peças de teatro, exposições, shows, filmes e espetáculos de dança, indicações de obras, etc. Inaugura-se assim, com esse pequeno passo, um espaço para o livre pensamento nas artes, justo num teatro que não apenas resiste mas continua propondo novas possibilidades para o mundo.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Espetáculo Distopias repercute nas redes sociais

O espetáculo Distopias, dirigido por Zeca de Abreu, com dramaturgia colaborativa supervisionada por Daniel Arcades entra na última semana da sua temporada. Fica em cartaz até domingo (01/04). Veja comentários das redes sociais feitos por algumas pessoas que já assistiram o espetáculo.


Foto: Diney Araujo


"Peça superatual, pois integra assuntos recentes da política e sociedade brasileiras. Mostra a fixação ao celular/redes sociais, a indiferença diante da violência crescente, a passividade da sociedade, o crescente controle da sociedade e do indivíduo, o medo de se envolver, as tendências ditatoriais e a única solução: atividades políticas! 

Eu mesmo fiquei abalado pelo forte impacto do conjunto de áudio, vídeos e atuações do elenco. Palco minimalista, sucinto e enxuto. Obriga a plateia a refletir sobre a situação atual e a atuação individual!

Também aborda migração, conflitos armados e o papel da arte.

Demonstra como a sociedade fica viciada no celular e como perde a empatia e ação"

Gustavo Lenz, sobre o espetáculo Distopias.



"Para gostar de teatro, é preciso gostar de gente. Diferente de outras artes, não há teatro sem o vivo do artista. Assim, a experiência do teatro, principalmente no Espetáculo "Distopias", te oportuniza não se sentir sozinho no caos cotidiano (mesmo que sejam vários sozinhos acompanhados de outros sozinhos) e te faz suspirar diante de alguns questionamentos.

A peça, que tem a direção firme e coerente de Zeca de Abreu, retrata o tempo em que estamos vivendo e as diferentes formas que o autoritarismo, o totalitarismo e o sistema de controle opressivo da sociedade contemporânea refletem nas subjetividades dos corpos, ao mesmo tempo em que resgata, sem dar respostas, a possibilidade de intervir, com esses mesmos corpos, no imaginário social e na construção de um caminho ainda inédito para a sociedade.

“Distopias” nos acolhe e nos provoca pelos sucessivos contrastes, movimentos e impasses do cotidiano. Para onde ir? Há algum lugar que me cabe? Qual caminho seguir? Entre a resistência e o medo, entre as explosões e as contenções, nos percebemos convocados a nos posicionar. Mas dentre tantos caminhos e tentando fugir dos binarismos, qual posicionamento nos cabe?

Tudo isso me fez pensar no tema do próximo Encontro Brasileiro do Campo Freudiano que ocorrerá em Novembro na cidade do Rio de Janeiro “A queda do falocentrismo: consequências para a psicanálise” (http://encontrobrasileiro2018.com.br). A descrença do pai acompanha a queda do falocentrismo, se a falta não está mais no centro do jogo, o que fazer para não se queimar com a larva do vulcão? (Paris is burning! Rss); Sem a tradição que nos guiava para sistemas ordenados, o que fazer com os excessos e a desorientação? Sem um pai norteador, só nos resta a rivalidade entre irmãos? Marcus Andre, psicanalista carioca, no argumento da Jornada, questiona “É possível querer sem o que transgredir? Seremos, no prazer, condenados aos desejos e gozos do binarismo e à sua superação? E na política, nada mais haverá além do poder do chefe e sua corrupção? Quem escolher quando a representação está em frangalhos e nossos eleitos vivem para gozar?”.

Há aqueles que acham que a saída é um retorno ao pai (será possível?): seja o pai tirano, vide a legião de seguidores do candidato fascista à presidência ou o pai ideal, e por isso mesmo amável, que distribui justamente a comida entre os filhos. Contudo há aqueles que “amam a novidade ou aqueles que estão dispostos a ver a vida em chave pessoal, mas estes são sempre por fim os debandados, sujeitos sem ponto de referência, sem uma raiz; não são absorvidos pela massa, não são orientáveis. Devem encontrar as soluções por conta própria” (trecho do texto da peça). Dessa forma, o texto de “Distopias” nos aponta uma saída pela via da invenção singular. Se já não são tempos da hierarquização falocentrica, nos resta inventar teias coletivas, coloridas e plurais. Tal qual um bordado (feminino!) que não vela nada, muito pelo contrário, escancara. Será que aguentaremos?

“Não vou te dizer como acaba, não vou te dizer como acaba. Enquanto o sinal está vermelho e você pensa no que vai comprar para comer, enquanto atravessa a rua segurando sua bolsa com medo do ladrão, enquanto chega em casa e passa o cadeado para dormir em paz, eu estou aqui e nego esse país. Eu não quero este país. Mas eu sou este país” – trecho do texto da peça.

Enfim, obrigado aos atores – que estão muito bem em cena-, a querida Zeca de Abreu e a todos os envolvidos. Bravo! Dentre tantos caminhos possíveis, o caminho do teatro Vila Velha para assistir “Distopias” te leva a um lugar potente de força e invenções. Me contem depois aqui o que acharam.
Marielle Franco presente!"

Wilker França 



"Numa sociedade distópica, liquidez é luxo. Distopias, espetáculo dirigido pela competente e apaixonante  Zeca de Abreu, em cartaz no Teatro Vila Velha até 1 de abril, é uma radiografia inquietante das sociedades contemporâneas. Lá estão as principais questões que atormentam a humanidade atualmente. Algumas tão antigas quanto o mundo, mas, ainda, não superadas. É um espetáculo forte, contundente, sociológico!! Uma leitura  impactante sobre esse projeto de modernidade que a cada dia se mostra totalitário,  autoritário, opressor, excludente e doentio. Um espetáculo simplesmente IMPERDÍVEL!!! Para aplaudir de pé e com entusiasmo!!!"

Silvio Benevides 

segunda-feira, 19 de março de 2018

Teatro dos Novos grava vídeos para Espelho para Cegos, seu mais novo espetáculo



O Teatro dos Novos se reuniu anteontem, sábado (17), para gravar os vídeos do espetáculo ESPELHO PARA CEGOS, de Matéi Visniec, com encenação de Marcio Meirelles. A parceria entre encenador e dramaturgo resultou em 11 espetáculos teatrais. A companhia retoma suas atividades artísticas com novos integrantes: jovens atores formados pela universidade LIVRE do teatro vila velha e veteranos como Vado Souza, Will Brandão e Chica Carelli, atriz e diretora que trabalha com Meirelles há mais de 30 anos. O primeiro grupo de teatro profissional na Bahia confirma sua missão desde quando foi criado, há quase 60 anos: reinventar o mundo inspirando e instigando o pensamento do público.
O conteúdo audiovisual foi produzido pelo Laboratório Multimídia do Vila Velha, e a ação foi comandada por Rafael Grilo. A locação foi no A Casa - coworking, situado no Jardim Brasil, na Barra, lugar também de encontros e pensamentos em arte, que apoia o projeto. A maquiagem e o cabelo ficaram a cargo de Luiz Santana.
Entre câmeras, produção e refletores, o trabalho ficou pronto e você vai conferir a partir do dia 5 de abril de 2018, data de estreia do espetáculo. Todos convidados!

segunda-feira, 12 de março de 2018

Você sabe o que é Pós-Cinema?

Os cineastas Lula Oliveira e Caio Araujo bateram um papo com a gente sobre a oficina "Cinema e Pós-Cinema – Uma imersão nas práticas audiovisuais" que acontece no Teatro Vila Velha, de 19 de março a 02 de abril.

Clique aqui para fazer sua inscrição 


Lula Oliveira
Caio Araujo



















O que é pós-cinema?

Caio Araujo- eu vi este termo quando li um livro de Arlindo Machado de 1997 chamado "Pré-cinemas e Pós-cinemas". Pós-cinema seria basicamente, se você pensar numa linha histórica do cinema experimental, formas, desdobramentos de possibilidades de fazer cinema depois que ele se instaurou enquanto linguagem oficial, enquanto "cinemão". Isso dentro da história do cinema experimental, depois das vanguardas soviéticas, das experiências feitas com cinema expandido, que foi um termo inventado por um americano chamado Gene Youngblood e os desdobramentos disso, depois a relação desse cinema com a imagem eletrônica, o nascimento dos VJs, até chegar nas possibilidades do contemporâneo - que são diversas. Tem uma mulher chamada Natália Aly que tentou categorizar a expansão contemporânea do cinema experimental. Ela fala de milhões de termos: pós-cinema, trans-cinema, neuro-cinema, cinema sinestésico, cinema quântico. Enfim, milhões de formas de se produzir. O pós-cinema está nisso, está nestas expansões e possibilidades de se produzir de formas diversas depois que o cinema se instaurou enquanto linguagem dentro de uma perspectiva do cinema experimental.

Como se mostra o pós-cinema nos dias de hoje? Como isso aparece nos filmes?

CA- Você pode pensar como formas de abordagem. Eu fiz um filme agora chamado "Elogio à Utopia”, que foi o filme que ganhou o festival PANORAMA INTERNACIONAL COISA DE CINEMA. É um filme que foi feito através de arquivo, eu não usei câmera para fazer. Um arquivo que vem basicamente do youtube e do facebook. Um filme que tem pretensões temáticas complexas, tentando investigar uma retomada de utopia brasileira do século XXI através destas imagens que estão na internet. Mas eu acho que correspondem muito [o pós-cinema hoje] a essas abordagens diversas, não só um filme exibido no cinema, mas também performances artísticas usando o audiovisual, a possibilidade de montagem em tempo real, o live-cinema, a relação do cinema com a instalação. São possibilidades diversas. Existem performances artísticas em que o público através do celular modifica a imagem que está sendo projetada. São abordagens que nem sempre vão pro cinema. São práticas artísticas que tem o cinema como base, mas apontam para lugares diversos

Lula Oliveira- Complementando o que ele disse, o conceito de pós-cinema é uma subversão do que a gente entende como cinema, da forma que o conceito foi construído em sua historia e da maneira em que ele foi produzido. O cinema vem de uma forma de produzir que se inicia na construção de um roteiro a partir de uma ideia. Este roteiro passa por uma pré-produção, depois é filmado, produzido e pós-produzido, ou seja, vai para uma linha de finalização, de montagem, edição e vai para a sala de cinema. Esse é o cinema que tradicionalmente nós conhecemos, interagimos nas salas, nas nossas casas, nas plataformas de vídeo por demanda. É o que a gente entende por cinema. O pós-cinema subverte esta lógica, porque ele não é feito a partir de um processo que estava construído dentro desta dinâmica de produção, apesar de haver antes da sua realização a construção da ideia. Não necessariamente ele vai passar por um roteiro, ou por um momento de produção da forma como o cinema se realiza. E nem na pós-produção porque ele pode estar se confundindo com o processo de exibição em tempo real onde a imagem está sendo captada dentro do espaço ou do universo que se propõe a se registrar. Então eu acho legal a gente buscar essa compreensão do pós-cinema entendendo também o que é o cinema dentro da perspectiva da sua forma de fazer. Porque no final o cinema e o pós-cinema querem a mesma coisa: a interação do público, a fruição da mensagem e da reflexão do que está sendo exibido na tela. O cinema e o pós-cinema, nas duas formas de produzir imagem e fazer com que essa imagem interaja com o seu público, tem a mesma finalidade. É a essência da arte, a interação com seu público.

Como criar um produto, uma nova narrativa a partir de algo que já está pronto? Como vocês fazem isso? 

CA- Isso também não é nada de novo. Tem um crítico e curador francês chamado Nicolas Bourriauld, que tem um livro de 2002 chamado “Pós-produção”. Ele ficou muito conhecido no Brasil primeiro por um livro dos anos 90, chamado “Estética Relacional”. Neste livro de 2002 ele diz que percebeu que há uma tendência no início dos anos 2000 de artistas contemporâneos estarem muito interessados em utilizar coisas que já foram pensadas para fins específicos na cultura e terem essas coisas como matéria prima para a realização de suas obras. Seria uma espécie de artista da pós-produção. Tem um francês chamado Pierre Huyghe. Os filmes que ele fez foi basicamente um trabalho de refilmagem. Um dos filmes dele é uma refilmagem de um filme de Hitchcock e outro é uma refilmagem de um filme de Pasolini. Ele pegou o roteiro de um filme que já tinha sido feito e refilmou no país dele, plano por plano deste filme. Tem uma artista francesa chamada Dominique Gonzalez-Foerster que mora no Rio hoje. Boa parte das obras dela são ampliações de obras que já existem. Ela pega uma escultura que já existe e faz a mesma escultura em tamanho maior, em 2 metros. É uma tendência da arte contemporânea. É como se o artista fosse uma espécie de DJ, ou programador cultural. Pega coisas que estão dadas e refaz. É uma tendência de dialogar com a arte do tempo.

LO-  Vou fazer um recorte em relação ao que pretendemos para a oficina. É justamente isso, se apropriar desse acervo incrível e importante para a história do Vila Velha e do teatro brasileiro e a partir dessas imagens, criar ideia e formatos e filmes que possam dialogar com esse material já existente. O que motivou a realização de todo esse trabalho é poder imergir no arquivo do Vila e criar a partir daí. Nós e os jovens que vão participar dessa oficina não sabemos o que existe. Sabemos que é um acervo rico, histórico, que é memória, mas podem acontecer diversas coisas que nós não dominamos a princípio. Então como se estabelece essa linha tênue entre o desejo e a construção desse desejo para que se tenha de fato um resultado concreto em cima desse processo? É uma imersão que tem haver com o que vamos assistir, com nossa capacidade e potência criativa de transformar isso em uma narrativa, em uma linguagem, em um formato.

Como surgiu a ideia da oficina? 

LO- A oficina nasce de um desejo antigo do Vila de dialogar com o cinema. Nas minhas conversas com Marcio Meirelles ao longo de quase 20 anos isso já foi sinalizado diversas vezes. O Vila passou por várias experiências cinematográficas: o cineclube do Vila, o laboratório audiovisual com produções que já foram realizadas. O Vila é um parceiro do cinema brasileiro e baiano, porque muitas produções dialogaram com o espaço, com a inteligência e com os atores formados por este lugar. Essa história do teatro do Vila não está desassociado do cinema. O que motivou essa oficina foi essa provocação, essa problematização de se ter um acervo dessa magnitude e fazer com que esse acervo dialogue com o público, com a sociedade. Porque você não tem como disponibilizar esse material bruto do acervo nas plataformas digitais, pra que de alguma forma ele tenha diálogo com a televisão, com o youtube. A ideia, o desafio é esse, nos apropriarmos do material bruto e junto com os jovens da oficina criarmos conteúdo a partir desse material.

Vocês pretendem seguir de alguma forma com o resultado da oficina?

LO- Esse parceiro está fazendo a oficina comigo… Na verdade eu é que estou fazendo a oficina com ele, porque eu conheço o Caio da época da faculdade de tecnologia e ciências, eu como professor e ele como meu aluno. Hoje as coisas se inverteram um pouco. Ele se aprofundou na academia, estudou e pesquisou esse universo do cinema, dentro desta linha do pós-cinema. Se especializou, já fez um longa-metragem premiado, é um jovem talentoso com um futuro altamente promissor. E a gente vai construindo em processo, né. Tivemos essa relação da sala de aula, depois trabalhamos (não diretamente juntos), com ele prestando serviço para a produtora da qual eu sou um dos sócios. Temos uma afinidade de irmandade muito grande, apesar de seguirmos caminhos distintos nas nossas vidas. E estamos vivendo essa experiência de parceira, de cineastas que estão se propondo a passar esse conhecimento adiante. Então eu acho que existem perspectivas a partir deste momento com o próprio Vila Velha pra fazer com que essa oficina se transforme em outros projetos, outras experiências envolvendo o laboratório audiovisual do Vila.

CA- Até para a própria formação do publico, depois. A gente quer trazer esse recorte teórico, essa imersão dentro da historia, mostrar conceitos, mas além de tudo, apresentar técnicas e formas de se produzir. Tanto para a montagem não-linear, uma montagem finalizada –aprender a editar, montar um produto audiovisual- quanto essas possibilidades de montagem em tempo real que vão dar essas outras possibilidades de produção. Uma dimensão muito importante nessa oficina é a formação técnica para que as pessoas que participem aprendam a produzir, fazer para que a partir daí possam produzir suas próprias coisas ou continuar dialogando com o Vila. Enfim, expandir da forma que for melhor pra cada um. 

LO- Minha experiência com oficinas em audiovisual me diz que não tem como, ao longo desse processo, pessoas não se destacarem (não no sentido do talento. No sentido do desejo de fazer aquilo que ele veio para aprender a fazer). É normal você, ao estudar, saber o que você não quer fazer. E você só sabe o que você não quer a partir da experiência que você teve diante daquilo. Então essas oficinas também trazem isso para as pessoas que fazem: tanto no sentido de ir adiante, quanto no de não querer fazer aquilo e é bom saber o que não se quer. Os que querem, que veem isso como uma perspectiva de formação, de crescimento, de evolução, saibam que vocês vão ter dessa formação a possibilidade de a partir desse conhecimento seguir adiante com as próprias pernas articulando com outras redes, com outras estruturas e com o próprio Vila. Com um conhecimento que facilitará o empreendedorismo diante de ideia s que venham surgir a partir do fim deste curso. Porque a ferramenta, de alguma forma vai estar aprendida. Então tem desdobramentos reais e possíveis tanto da nossa parte como professores/cineastas quanto das pessoas que aqui vão passar.

Lula Oliveira é jornalista e cineasta. Trabalhou como  assistente de direção nos longas Metragens: Três Histórias da Bahia (Direção: Sérgio Machado, Araripe Junior, Edyala Yglésias); Eu me Lembro (Direção: Edgard Navarro); Jardim das Folhas Sagradas (Direção: Pola Ribeiro), Cidade das Mulheres (Direção: Lázaro Faria), dirigiu os curtas metragens Horizonte Vertical e Na Terra do Sol. É Presidente da ABD/ABCV Bahia e trabalhou na Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura.  Sócio Gestor da DocDoma Filmes.

Caio Araujo é cineasta e artista visual, tendo atuado como produtor e curador. Participou de diversos festivais do Brasil recebendo prêmios de melhor filme experimental e melhor filme de ficção no festival cidade filmada (2009). Em 2017 realizou sua primeira exposição individual, intitulada 'O tratado das fusões' no Museu de Arte da Bahia e seu primeiro longa metragem ‘Elogio à utopia’ que ganhou o prêmio de melhor longa baiano no Panorama Internacional Coisa de Cinema de 2017.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Espetáculo “Distopias” discute migrações contemporâneas

Mais novo espetáculo teatral da diretora Zeca de Abreu, “Distopias” estreia em 15 de março de 2018, no Teatro Vila Velha, e permanece em cartaz de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 19h, até 1º de abril.


Foto: Diney Araújo


Com texto colaborativo, construído com supervisão e tratamento do dramaturgo Daniel Arcades, a peça discute o tema das “migrações” e marca uma nova fase da companhia Trupe da Zequinha, que passa a se chamar Ouroboros – Cia de Investigação Teatral.

No espetáculo, narrado de forma não linear, são apresentados fragmentos de vida de 13 personagens, cujas histórias se cruzam e têm como cenário uma mesma grande cidade. Situações de violência, censura, conspiração e intolerância alteram suas rotinas, de diferentes maneiras, conduzindo-os a situações extremas em que restam apenas duas opções: ficar ou fugir.

“Distopias” traz no título o conceito de anti-utopia, a ideia de um lugar de opressão extrema, autoritarismo, ausência de liberdade. Mas a peça não fala de uma realidade distante, ao contrário: o tempo é agora e o cenário é qualquer metrópole do mundo contemporâneo. É um espetáculo onde as migrações aparecem como tema central e nos provocam a refletir sobre a necessidade de sair do lugar onde se está em busca de melhorias e sobre as dificuldades encontradas em lutar por melhorias no seu espaço.

Baseado nas pesquisas sobre as migrações físicas contemporâneas, o espetáculo se constrói como uma possibilidade de reflexão sobre o que se passa no pensamento humano ao se ver obrigado a enxergar e pisar em outras fronteiras. “Esse trânsito poderia nos contar histórias apenas de imigrantes, como as mais recentes vistas nos jornais mundiais, mas, assim como haitianos, sírios, latinos, russos e diversos povos migram para outras fronteiras, o pensamento humano também migra para outras concepções, a política migra para o caos e a tentativa de melhoria sempre conquista a esperança humana e motiva as diversas migrações que somos levados a ter”, comenta o dramaturgo Daniel Arcades.

“Distopias fala desses deslocamentos que estão acontecendo em todo o mundo, movimentos aos quais precisamos ficar atentos, mas é uma peça que também provoca o público a refletir e se deslocar, de algum modo. Ainda que esse deslocamento seja o ato de sair de casa e ir ao teatro, ato simples, mas cada vez mais raro”, explica a diretora Zeca de Abreu, que pesquisa o tema das migrações há cerca de um ano e que, desde agosto de 2017, conduz os trabalhos em salas de ensaio com os primeiros atores. “Fazer teatro está difícil, é resistir. Essa é uma peça que fala também sobre resistência”, complementa Zeca.

No elenco, estão Aicha Marques, Andréia Fábia Adowa, Beatriz Pinho, Carol Alves, Daniel Becker, Edu Coutinho, Fernanda Veiga, Heraldo de Deus, Hugo Bastos, Kita Veloso, Maria Clara Perez, Victor Edvani e Victor Fernandes. Os figurinos são de Miguel Carvalho, a cenografia de Maurício Pedrosa, a assistência de direção de Antônio Marcelo e a direção de movimento e preparação corporal de Lulu Pugliesi.

Serviço:


Espetáculo “Distopias”
Temporada: 15 de março a 1º abril de 2018 - quinta a sábado 20h / domingo 19h
Ingressos: 
Quintas-feiras: R$20 (inteira) e R$10 (meia)
Sexta a domingo: R$30 (inteira) R$15 (meia)
Local: Teatro Vila Velha

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Entrevista com Marcos Dedê

O Teatro Vila Velha se prepara para 2018. Com um ano novo chegando, o teatro, na sua busca eterna,  tem que se readaptar, transformar-se. Seja formulando uma programação condizente com o nosso mundo, seja cuidando do nosso espaço físico. E para isso precisamos de trabalho. Leia a entrevista com Marcos Dedê, funcionário do teatro desde 2004, sobre a manutenção dos equipamentos técnicos. Marcos começou no teatro como  auxiliar de cenotecnia e atualmente é nosso chefe de palco.

Foto: Arlon Souza

Por que é importante fazer a manutenção dos equipamentos anualmente? Isso previne o que?

Porque se a gente não tiver essa manutenção vai chegar uma hora em que não vamos ter equipamento por causa do desgaste, do uso –usamos muito. Tem que ter a manutenção. A refrigeração também ajuda muito. Como estávamos sem ar condicionado, os refletores estavam se degradando, mas agora já temos. O refletor é nosso material de trabalho. Eles precisam de ar porque são muito quentes, cada refletor desse tem 1000w, muita potência.

Como isso contribui para a programação do teatro? Peças, eventos...

Um bom funcionamento do equipamento e ter um equipamento adequado para a demanda do teatro é fundamental, tanto para a gente quanto para os clientes, o público.

Quais são os equipamentos que estão recebendo manutenção?

Estamos dando manutenção nos refletores, nos fios de fora do teatro, no canhão de luz, nas cadeiras do palco, na luz da fachada que estava queimada. Nos refletores estamos fazendo uma manutenção mais profunda, não só limpando. Reparando, vendo peças que estão faltando. Marcando as lâmpadas fortes e fracas para saber quais usar para cada espetáculo. É um trabalho mais demorado, mas é melhor, mais específico

Como vocês se dividiram para fazer esse trabalho?

Na verdade, cada um está fazendo um pouco de tudo. Nos juntamos, desmontamos o palco, limpamos os praticáveis. Depois nos dividimos. Eu e Zeus (técnico de luz) estamos na parte operacional do equipamento, Matheus (estagiário) está separando os focos e fazendo a contagem. Joilson (técnico do teatro) está separando as cadeiras.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

"A arte se presta para nos munir de repertório de vida" André Trajano, médico e sócio do circuito sala de arte, reflete sobre a busca pela arte

LINK DA REVISTA:
http://www.cremeb.org.br/wp-content/uploads/2018/02/Revista-CREMEB-ed23-12jan18-FINAL_PRESS_NEW.pdf

FONTE:
Vida e Ética- Revista do Cremeb . ano 8 - n 23 / 2017

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Exposição JANGO: UMA TRAGÉDYA ocupa o Teatro Vila Velha

Fotos do espetáculo de mesmo nome, vídeos, imagens, textos e uma instalação formada por lambe-lambes tomarão o foyer, corredores e paredes do histórico espaço cultural baiano  

Foto: Thamires Tavares 

Divididas em painéis plotados nas paredes do teatro, que contam a história de dois personagens emblemáticos da história e cultura brasileiras – e até mesmo internacional – a Exposição JANGO: UMA TRAGÉDYA apresenta cartas escritas pelo cineasta baiano Glauber Rocha (1939 – 1981), imagens de figuras históricas citadas na única peça escrita pelo artista, como Carmem Miranda, Miguel Arraes, Elizabeth Taylor e Leonel Brizola; assim como situações políticas dos governos do ex-presidente João Goulart (1918 – 1976) e uma linha do tempo sobre esses acontecimentos históricos, que destaca, inclusive, o Golpe que instalou a Ditadura Militar no Brasil.
Num processo de criação conjunta, a produção, execução e montagem da exposição é do Núcleo Vila de Taipa, formado pelo diretor teatral Márcio Meirelles, o cenógrafo Erick Saboya e os assistentes de cenografia Camila Castro, Lia Nascimento e Renato Lessa.

“Será uma experiência enriquecedora para todos que forem assistir ao espetáculo, pois terão um conhecimento ainda mais amplo sobre todo processo de criação do espetáculo e desse projeto. Poderão entender melhor as personagens que são inseridas na trama, que mistura figuras históricas da época de Jango com personagens fictícias criadas para enriquecer a dramaturgia. Dessa forma, é possível situar-se com mais clareza sobre os acontecimentos que influenciaram Glauber Rocha desenvolver a peça”, explica Erick Saboya.  

Exposição JANGO: UMA TRAGÉDYA
Local: Teatro Vila Velha - Passeio Público, S/N, Campo Grande - Salvador - BA
Data: de 20/12 a 28/01/2018
Classificação: Livre
Entrada franca
Informações: (71) 3083-4600

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Marcio Meirelles estreia “JANGO: UMA TRAGEDYA” – única peça teatral de Glauber Rocha – no Teatro Vila Velha

O texto revive o ex-presidente João Goulart, exilado após o Golpe Militar, e instala na cena um debate contemporâneo sobre o cenário político atual, no mesmo palco em que o Estado brasileiro pediu desculpas e indenizou a família de Glauber pela censura e perseguição criminosa ao cineasta baiano, em 2010 

Foto Bruna Castelo Branco

Tropicalista, carnavalesca, irônica, mágica e polifônica, a montagem de Marcio Meirelles é um épico musical, em que a coreografia de Cristina Castro e a trilha sonora original e identidade visual do Tropical Selvagem (Ronei Jorge/João Meirelles e Lia Cunha/Iansã Negrão) se juntam para criar um painel de encontros, trânsitos, memórias e entraves ideológicos do projeto político de João Goulart, conforme escrito por Glauber Rocha. As ideias de Jango, no texto (escrito em 1976) confundem-se com o pensamento do próprio cineasta, que o conheceu em 1972, durante o exílio, e com quem compartilhava uma admiração recíproca. “JANGO: UMA TRAGEDYA” reflete a história, mas segue o fluxo dos movimentos e diversas questões do agora. O encenador Marcio Meirelles vê no espetáculo um diálogo ainda muito contundente. De quinta a sábado, às 20h. Domingo, 19h. No Teatro Vila Velha. Até 28/01.

Com um elenco formado por jovens atores da “universidade LIVRE de teatro vila velha” - completamente atuante nas diversas etapas e áreas de construção desse trabalho – o espetáculo se fortalece com as participações especiais dos veteranos Celso Jr. (ator com mais de 30 anos de carreira), Sergio Laurentino (Bando de Teatro Olodum), de atores formados na LIVRE: Vado Souza e Yan Britto (intérprete de Jango) e do Balé Jovem de Salvador (companhia e programa de formação em dança criado pelo bailarino e coreógrafo Matias Santiago). Além de Jadsa Castro e Caio Terra como músicos da banda ao vivo.

Jango teve o mandato cassado pelo golpe que estabeleceu a ditadura civil/militar no Brasil por duas décadas, por ter proposto reformas que beneficiavam o povo e a economia brasileiros e ameaçavam e contrariavam interesses das elites nacionais e internacionais. Permaneceu exilado até a morte, que é encenada premonitoriamente pela peça escrita menos de um mês antes.

“A morte de Jango foi um golpe muito forte para o Glauber. Quando voltou do exílio, Glauber tinha um projeto político, estético para o Brasil, e o Jango estava nesse devir político, estético de um novo país”, recorda a cineasta Paula Gaitán, viúva do artista.

A primeira montagem da peça é do diretor Luiz Carlos Maciel, no Rio de Janeiro, em 1996.  Na peça, João Goulart encontra-se com grandes personagens dos campos político, artístico, econômico e intelectual, dos anos 1960 e 1970, colocando em questão o poder em suas diferentes manifestações. No entanto, é sobre o Brasil que Glauber Rocha fala. Diversos olhares sobre o país são confrontados a partir de encontros com personagens como Carmem Miranda, Miguel Arraes, Leonel Brizola e Francisco Julião. Marcio Meirelles conseguiu a autorização da saudosa Dona Lúcia, mãe de Glauber, em 2007.

“O que explode em Jango é uma visão poética, histórica, trágica, totalizante, antropofágica, dilacerada, e, paradoxalmente, esperançosa sobre este pedaço da América que Caetano definiu com belas palavras: Ilha Brasil pairando eternamente a meio milímetro do chão real da América.”, sintetiza o jornalista Geneton Moraes Neto (1926-2016). 

Inaugurado quatro meses após o Golpe Militar, em 1964, o Teatro Vila Velha estabelece com essa montagem tanto uma relação histórica quanto de alto valor simbólico: o espaço se tornou um lugar de reação ao regime totalitário da época, onde abrigaram-se artistas, intelectuais, movimentos sociais e estudantes. E justamente por esse motivo sediou o julgamento da anistia política de Glauber Rocha, em 2010, momento em que o Estado brasileiro pediu desculpas e indenizou a família pela censura e perseguição criminosa ao artista.

JANGO: UMA TRAGÉDYA tem apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia.

Espetáculo JANGO: UMA TRAGÉDYA
Local: Local: Teatro Vila Velha - Passeio Público, S/N, Campo Grande - Salvador - BA
Datas: 04, 05, 06, 07, 11, 12, 13, 14, 18, 19, 20, 21, 25, 26, 27, 28/01 (quinta a domingo)
Horário: 20h (quinta a sábado) e 19h (domingo)
Duração: 1h10
Gênero: musical
Classificação indicativa: 14 anos
À venda na bilheteria e no site www.teatrovilavelha.com.br
Informações: (71) 3083-4600


terça-feira, 28 de novembro de 2017

OFICINAS VILA VERÃO




OFICINAS VILA VERÃO

Já estão abertas as inscrições das oficinas de verão 2018 do Teatro Vila Velha.  Os participantes que se anteciparem podem aproveitar os preços promocionais pelo site www.sympla.com.br/oficinasvilaverao

De 06 a 28 de janeiro, para quem quer experimentar teatro, dança, canto, aquarela, circo e, até mesmo, bordado, e para aqueles que querem aprofundar sua experiência artística, as Oficinas Vila Verão 2018 vão esquentar a programação de Salvador.

Além de uma programação variada e profissionais experientes à frente, a maioria das oficinas são concluídas no dia 28 de janeiro no palco, permitindo ao aluno experimentar a comunicação  com o público, apresentando o resultado da sua criação  sob as luzes dos refletores do Teatro Vila Velha.https://ssl.gstatic.com/ui/v1/icons/mail/images/cleardot.gif
A coordenação é de Chica Carelli, coordenadora da universidade LIVRE do teatro vila velha, Ella Nascimento, atriz do Bando de Teatro Olodum e Lia Nascimento - integrante da LIVRE. 

OFICINAS VILA VERÃO 2018

OFICINAS PARA CRIANÇAS

-Teatro, Câmera, Ação!
Terças e quintas das 09h às 11h.
Para crianças de 05 a 10 anos.

Explora possibilidades compositivas a partir da improvisação como meio de investigação entre câmera e palco. A ideia é criar um espaço para a criança aprender e produzir, de maneira brincante, pequenos esquetes artísticos tendo como fio condutor o uso inventivo das tecnologias digitais. Neste encontro criativo serão disponibilizados adereços, figurinos e pequenos textos a fim de incentivar a imaginação de cada participante na criação de performances cênicas que serão filmadas e apresentadas.  
 
Com Débora Landim
É artista, educadora Graduada e Mestre em Teatro pela Universidade Federal da Bahia, Psicopedagoga e Encenadora. Possui experiência nas áreas de cinema e educação. Fundadora e coordenadora da Companhia dos Novos Novos, grupo artístico infanto-juvenil que nasceu no Teatro Vila Velha em 2001. Coordenadora do Centro de Pesquisa Moinhos Giros de Arte.

- Teatro para iniciantes
Segundas e quartas das 14h às 16 h.
Para crianças de 11 a 13 anos.

A oficina busca aprimorar e/ou desenvolver habilidades criativas através de jogos e exercícios teatrais e corporais, respeitando as especificidades e níveis de aprendizagem de cada um(a). Nesse processo serão trabalhadas as disposições para interpretação, escuta grupal, percepção do espaço da cena, relação ator-público, construção de personagem e projeção e articulação da fala. Tudo em total acordo com tempos de cada uma (um); idade, desenvolvimento e demais características idiossincráticas. Um espaço de grandes trocas, diversão e arte.  

Com Ella Nascimento
Pedagoga (UFBA-FACED), atriz do Bando de Teatro Olodum, integrou o elenco de 11 espetáculos, entre eles: “Cabaré da Rrrraça” (de Márcio Meirelles e Chica Carelli), “Ó Paí Ó” (de Márcio Meirelles), e "Dô" espetáculo dirigido pelo dançarino de Butô, Tadashi Endo. No cinema e na televisão teve várias participações como o quadro do Fantástico "O Curioso", de Lázaro Ramos e “Quincas Berro D’água”, de Sergio Machado.

- Canto para crianças
Segundas e quartas das 16:30h às 17:30.
Para crianças de 06 a 11 anos.

Com Marcelo Jardim
É formado em Canto pela UFBA, professor de voz dos grupos Bando de Teatro Olodum e Vilavox, integra o coro do Teatro Castro Alves.

- Brincando de Circo
Terças e quintas das 15h às 16h
Para crianças de 04 a 10 anos

Curso de férias, onde as crianças têm a oportunidade de experimentar ludicamente as peripécias acrobáticas do mundo do circo. Nas aulas, acrobacias, malabarismo, equilibrismo serão apresentadas para a criançada. Flexibilidade, confiança, força, agilidade, coordenação motora e superação, além de estimular a criatividade e a sensibilidade da criança por ser uma atividade de expressão artística.

Com Luana Serrat
É graduada em Artes Cênicas pela UFBA e tem Formação Profissional em artes do Circo. Luana cresceu no circo apresentando-se no picadeiro desde criança. Seus pais, Anselmo Serrat e Veronica Tamaoki fundaram a Escola Picolino. Já participou de turnês importantes pela Europa e Brasil. Em 2007 junto a outras 4 artistas funda a FULANAS CIA DE CIRCO.

- Hip Hop kids
Sábados das 14:30h às 16h
Para crianças a partir de 08 anos

A oficina pretende trabalhar com a turma as especificidades de dois estilos base de Dança urbana: o Hip Hop e Popping. O Hip Hop (1980) e o Popping (1970) surgiram nos Estados Unidos, sendo que o Hip Hop fundamenta-se em improvisos em cima da música e o Popping em contrações musculares e controle corporal.

Com Emerson Santana
Conhecido como "CREU SD" iniciou nas Danças Urbanas em 2005, onde é considerado pioneiro dos estilos de POPPING e HIP HOP DANCE em Salvador, além de fundador e coreógrafo do grupo INRITMO. Com diversos títulos e conquistas ao longo de sua carreira em competições de dança, fez diversos trabalhos como: Trident, Red Bull, Festival De Verão, Skol, Projeto Tamar, e artistas como Claudia Leitte.

-Música Brincante: musicalização infantil
Sábados das 10h às 12h
Para crianças de 05 a 10 anos

Como oficina, a musicalização infantil busca despertar e aprimorar nas crianças ritmos, sons e cantigas do universo infantil com jogos e brincadeiras. Esta oficina terá como resultado, uma pequena apresentação dos alunos mostrando um pouco do que foi desenvolvido ao longo dos encontros.

Com Cell Dantas
Bacharel em Artes pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Licenciando em Letras Vernáculas também pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), músico e ator do Bando de Teatro Olodum. Tem experiências como professor de música do Ensino Infantil ao Fundamental I em escolas.


OFICINAS DE TEATRO

-Teatro para iniciantes I com Chica Carelli
Segundas e quartas das 14:30h às 17h
A partir de 14 anos

A oficina busca desenvolver a percepção e a criatividade individual do ator conjugada à construção coletiva do trabalho teatral através de exercícios de aquecimento e dinâmicas de corpo, voz e improvisação.

Com Chica Carelli
É graduada em direção teatral pela Universidade Federal da Bahia em 1983. Iniciou sua carreira de atriz em 1980, no grupo Avelãz e Avestruz dirigido por Marcio Meirelles. Seu trabalho nesse grupo lhe valeu dois troféus Martim Gonçalves. Em 1990 fundou, com o diretor Marcio Meirelles, o Bando de Teatro Olodum, co-dirigindo espetáculos. Desde 1994 integra o colegiado do Teatro Vila Velha, e participa também das produções artísticas da Cia Teatro dos Novos como atriz e diretora. Coordena, desde 2000, as Oficinas Vila Verão do Teatro Vila Velha.

- Teatro para iniciantes II com Zeca Abreu
Terças e quintas das 15h às 17:30
A partir de 16 anos

Pretende proporcionar aos participantes o primeiro contato com o fazer teatral, aguçando a visão crítica e a sensibilidade perante o mundo. Para tanto, serão aplicadas várias modalidades e estilos do jogo teatral.

Com Zeca Abreu
Mais de 20 anos de carreira, atuou em várias peças de teatro, como O Homem Nu e suas Viagens, direção de Hebe Alves, Um Prato de Mingau para Helga Brown direção de Celso Jr., Volpone, de Fernando Guerreiro, e Espelho para Cegos, de Marcio Meirelles. No cinema marcou sua presença nos filmes Eu Me Lembro e O Homem que não dormia de Edgard Navarro, Cidade Baixa, de Sergio Machado, Depois da Chuva, de Claudio Marques e Marilia Hughes, e Irmã Dulce, de Vicente Amorim. Como diretora teatral ganhou diversos prêmios importantes, como o Prêmio Braskem de Teatro, em 2013, por Destinatário Desconhecido.

- O corpo e a cena
Sábados e domingos das 15h às 18h
A partir de 16 anos

Proporcionar ao ator o desenvolvimento de suas potencialidades, buscando uma autonomia e presença cênica, ampliando e encontrando ferramentas para tornar seu trabalho mais consistente e diversificado.

Com Bertho Filho
É ator, diretor teatral/UFBA, dramaturgo, produtor e preparador de atores para teatro e para o cinema. Como ator, trabalhou em filmes como Central do Brasil, de Walter Salles; Tieta, dirigido por Cacá Diegues; Eu me Lembro e O Homem Que Não Dormia (ator a produção de elenco e figuração), Cascalho de Tuna Espinheira, O Trampolim do Forte, de João Rodrigo Mattos (oficineiro/ator/ e a produção de elenco), Capitães Da Areia, de Cecília Amado, A Beira do Caminho e As Irmãs, de Breno Silveira, Tungstênio de Heitor Dhalia, Thabu de Sofia Federico (preparador de elenco e figuração).  Na televisão, atuou em Cama De Gato, direção geral de Ricardo Waddington (2010); Força Tarefa, de Jose Alvarenga Jr. (2010); Gabriela, direção de Núcleo de Roberto Talma (2012).

-Teatro-esporte
Segundas e quartas das 19h às 21h
Para atores e estudantes de teatro maiores de 18 anos

A oficina de teatro-esporte aplica as noções básicas de Improvisação Teatral para atores profissionais e/ou amadores, onde são aprendidas algumas noções básicas de interpretação (ação interna/ação externa, objetivo, status cênico, estados emocionais, etc), a partir de exercícios dinâmicos e divertidos. O Teatro-esporte é uma técnica de improvisação teatral, criada pelo diretor canadense Keith Johnstone, em meados dos anos 1960. Aqui na Bahia, a técnica veio pelas mãos do diretor alemão Volker Quandt, em 1994. Além do conhecimento e exercício das técnicas de treinamento para a prática do Teatro-esporte, haverá a aplicação de exercícios adaptados a partir de Viola Spolin, Augusto Boal, do grupo americano Living Theatre e das técnicas de Máscara Neutra e Máscara Expressiva da Commedia dell’Arte.

Com Celso Jr
É Ator e diretor com mais de 60 espetáculos teatrais realizados. É professor do Núcleo de Teatro da Universidade Federal de Sergipe. Doutor em Artes Cênicas pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UFBA (2013). Bacharel em Artes Cênicas (Direção Teatral) pela Escola de Teatro da UFBA, (1994). Mestre em Letras, (Teorias e crítica da literatura e da Cultura) UFBA (2005). Como ator, começou a carreira na Companhia Baiana de Patifaria no espetáculo Abafabanca (1987).


- Oficina Multilinguagem
Preparação e seleção para a turma 2018 da universidade LIVRE do teatro vila velha
segundas, quartas e sextas das 9h às 12h

universidade LIVRE do teatro vila velha abre seleção. Você tem alguma experiência em teatro, é maior de 18 anos, e tem a vontade de ter encontros e trabalhar, por 3 anos, com dois grandes diretores residentes e com diversos outros artistas visitantes? Um dos palcos mais importantes do teatro brasileiro abre inscrições para a oficina de preparação e seleção da universidade LIVRE do teatro vila velha.

Para garantir vaga acesse o link  www.sympla.com.br/teatrovilavelha

OFICINAS DE DANÇA

-Dança Afrobrasileira
Segundas, quartas e sextas das 12:30h às 14h

Através dos princípios da dança afrobrasileira e da diversidade que essa modalidade de dança abarca, será desenvolvido um trabalho de alongamento, aquecimento, reconhecimento e também de criação coreográfica, onde os alunos e alunas poderão experiência em seus corpos a dança afrobrasileira e trabalhar condicionamento físico.

Com Arisma Adoté
É bailarino do Balé Folclórico da Bahia onde atua nos papéis principais e é professor da turma júnior da instituição. Diretor de Companhia de Dança LEKAN DANCE. Formação em dança Afro Brasileira: Nildinha Fonseca, formação em Dança Moderna (horton) (Martha Graham): José Carlos Arandiba (zebrinha). 2004- ingressou na companhia Bale Folclórico da Bahia; 2008- Ingressou no corpo de balé da cantora Daniela Mercury; 2010- Companhia Dance Brazil; 2016- Atualmente dançarino da Cantora Daniela Mercury e assistente do Coreógrafo José Carlos Arandiba (Zebrinha).

-Danças urbanas e Twerk
Segundas e quartas das 17:30 às 19h
A partir de 15 anos

A oficina visa mesclar a dança urbana dentro da técnica de dança contemporânea com o twerk, também parte das danças urbanas. A partir de suas vivências, a professora visa propiciar o contato dos alunos com essas duas vertentes conectadas. A dança urbana vista e sentida por ela dentro de uma técnica mais abrangente como a contemporânea que permite autonomia tanto na criação coreográfica como no próprio dançar, e o twerk uma dança mais sensual geralmente voltada ao público feminino, cuja ênfase está no movimento dos quadris.

Com Taila Samile
Formada em ballet clássico pela Ebateca - Cidade do Saber. Bailarina na Cia Jovem de Balé de Camaçari por 5 anos, Cia de danças populares Canjica mole por 5 anos, Cia de dança contemporânea  Sinha Guimarães desde 2015, Balé Jovem de Salvador, professora de balé clássico infantil/iniciante há 5 anos e também professora de jazz iniciante.

-Dança Estilhaçada
Dias 17, 18 e 19 de janeiro das 18h às 22h
Para curiosos, artistas amadores e profissionais a partir de 17 anos

Nessa oficina o artista Leonardo França, a partir das suas pesquisas em dança e cinema, irá mediar práticas para atritar, ficcionalizar e multiplicar os corpos. Essa oficina se destina a pessoas e artistas que nunca se reconhecem inteiros: quase-artistas, quase-dançarinos, quase-cineastas, quase-artistas visuais... os fronteiriços.
Um encontro para artistas de diversas áreas e curiosos diversos experimentarem práticas, conversas e compartilhamento de obras que abordam o corpo pela perspectiva relacional e transversal.
Para um momento político estilhaçado, uma dança estilhaçada. Essa fratura ético-estético-política exposta chamada Brasil nos desafia a pensar corpos que se organizam na diferença e na multiplicidade, como podemos construir esses corpos juntos?

Com Leonardo França.
Leonardo França é um um artista do corpo que faz do estilhaçamento sua produção estética. Produz colaborativamente com vários artistas da dança, cinema, música, artes visuais e teatro. Desde 2010, integra a equipe de artistas-curadores da Dimenti produções culturais. Em 2016, teve dois trabalhos indicados como melhores espetáculos de dança do Rio de Janeiro pelo Jornal O Globo: Ouriço que tem a sua direção e Looping: Bahia Overdub em co-direção com Felipe Assis e Rita Aquino. Indicado ao prêmio Bravo em 2016 na categoria melhor espetáculo de dança com Looping: Bahia Overdub. No seu trajeto já realizou residências artísticas no Brasil, Portugal e Alemanha


OFICINAS DIVERSAS

-Canto
Segundas e quartas das 10h às 12h
A partir de 14 anos

-Aquarelando
Sábados das 10h às 13h
A partir de 12 anos

Oficina de aquarela com Bruno Marcello. Vamos conhecer um pouco mais sobre aquarela, técnicas básicas e intermediárias testando diferentes tipos de papeis e abordagens mostrando que aquarela não é tão difícil quanto parece.

Com Bruno Marcello
É artista plástico formado pela EBA - UFBA, já participou de diversas exposições, faz ilustrações para livros, desenha histórias em quadrinhos, desenvolveu games e já foi professor de Desenhos na Escola de Belas Artes da UFBA.

-Transbordando: bordado criativo
Sextas das 14h às 18h

Inspirada na arte urbana e na sua amplitude de possibilidades criativas, a oficina pretende transbordar o bordado tradicional para além do tecido plano, como experiência artística-visual contemporânea. Unindo pontos de bordado e sua base de forma dinâmica com a arte contemporânea, expressando personalidades em suas formas, texturas e movimentos. Não há limite para bordar, transborde!

Com Daiane Samo
Da dança ao bordado, Samo atua no ramo das artes em Salvador desde 2011, iniciando sua grande descoberta, seu encontro de amor, no Centro Técnico do Teatro Castro Alves, onde participou de oficinas e projetos de figurino e cenografia ao lado de grandes artistas, diretores e produtoras da capital.

 Materiais necessários: tecido algodão cru, linhas de meada, bastidor, lápis, agulha de costura nº07, tesoura com ponta e papel carbono e outros materiais sugeridos pelos próprios participantes para a composição dos bordados.

-Laboratório criativo de arte de rua
Dias 25, 26 e 27 de janeiro as 16h às 19h
A partir de 16 anos

O Laboratório de arte de rua tem como finalidade explorar performatividades artísticas no espaço público. A oficina abordará estruturas cênicas da arte de rua, explorando manifestações a partir do teatro, da performance e do circo. Levantando a importância da arte em espaços públicos e sua ação social.
O objetivo é trabalhar o corpo em estado criativo, como instrumento e comunicação expressiva, a partir de improvisações, jogos teatrais e elementos que auxiliam a criação artística. Com a perspectiva que a rua seja o palco de ações poéticas e possíveis trocas de relação e reflexão a oficina levantará debates sobre arte pública, políticas públicas, contribuição voluntária (chapéu) e a importância da função social do artista.

Com Vanda Cortez

Artista de Rua e Palhaça. Graduada e licenciada em Artes Visuais tem como linha de pesquisa a intervenção urbana, o circo e a performance contemporânea. Em 2012 ingressa na escola de tetro callejero na cidade de Rosário /Argentina. Durante cinco anos percorreu cidades entre Brasil, Paraguai e Argentina pesquisando e atuando em encontros, festivais e convenções de circo e Arte de Rua. 


Serviço:
OFICINAS VILA VERÃO
Local: Teatro Vila Velha
Data: de 06 a 28 de janeiro
Informações: www.teatrovilavelha.com.br ou Telefone (71) 3083.4600