terça-feira, 20 de junho de 2017

Lázaro Ramos em "Conversa com Bial"


Na semana passado, o ator Lázaro Ramos participou de entrevista no programa "Conversa com Bial", exibido pela TV Globo, onde falou sobre sua carreira, projetos, vida pessoal e sobre o seu mais recente livro, "Na Minha Pele", lançado pela editora Objetiva, em que reflete sobre o racismo. Formado pelo Bando de Teatro Olodum, grupo onde iniciou a sua carreira artística e a sua militância negra através do teatro. 

O apresentador Pedro Bial iniciou o programa com o texto "Lázaro, um negro ator" de Márcio Meirelles. Clique aqui para assistir à entrevista e leia o texto na íntegra abaixo:

"Lázaro Ramos é um ator negro. Quando digo isto, levo em conta o fato de que nunca se diz de um branco que é ator: fulano é um ator branco. Levo em conta também o fato de que a adjetivação racial, para um ator negro, não é necessária. Poderia começar este texto em homenagem a Lazinho dizendo: Lázaro Ramos é um dos atores mais especiais que conheço. Mas ele o é por ser inteiramente o que é. E sei que não posso imaginar maior homenagem ou elogio a ele do que reafirmar o que ele afirma em cada gesto, olhar, som, pensamento, escolha, atitude de sua carreira.

Portanto: Lázaro Ramos é um ator negro!

Com isso digo que o ofício de ator, em sua plenitude, é exercido por ele.

O ator é aquele que dá seu testemunho de mundo no palco, na tela, em cada personagem que aceita fazer, em cada depoimento público na arena da mídia. Lázaro é um que não se furta a dar este testemunho, generosamente. E, neste mundo, neste Brasil que exerce tão cruelmente sua democracia racial, gerando mula[to]s e relegando o negro ao papel de figurante em sua história, um negro, quando se faz ator, só o fará bem se se fizer ator negro. É um estigma? Sim. É uma marca. O negro é estigmatizado aqui e não há como negar. Há então que assumir-se diferente e, com esta diferença, marcar a história deste país. Mudar em negras as brancas nuvens e fazer chover, fertilizar. Assumir-se co-autor da Cultura brasileira. Exercer seu papel de protagonista neste enredo. Pintar de preto a face deste país pardo, auriverde, cor de anil. Pintar também de preto o Brasil.

O ofício do ator é este: deixar sua marca no mundo, para que o mundo se torne diferente do que tem sido. É isso que Lázaro Ramos, o ator negro, tem feito. E, depois de Lázaro, sem dúvida, o Brasil está um pouco melhor."

Nildinha Fonseca abre nova turma de Dança Afro




O Teatro Vila Velha abre inscrições para oficina de Dança Afro com a professora pesquisadora Nildinha Fonseca. As aulas acontecem nas terças e quintas das 17h as 18h30 a partir do dia 11 de julho. O investimento mensal é de R$ 120 e as inscrições podem ser feitas no Teatro Vila Velha até o início das aulas.

Na oficina os participantes irão entrar em contato com os elementos da cultura de matriz africana, vão enfrentar um trabalho vigoroso, direcionado para organização e alinhamento postural, força muscular, resistência e condicionamento corporal. Para dançarinos, atores e modelos e iniciantes.

Nildinha Fonseca é professora e pesquisadora da Dança Afro Brasileira em todas as suas vertentes. Formada pela Universidade Federal da Bahia nos cursos de Licenciatura em Dança. Dançarina profissional, especialização e dança. Professora de dança afro, assistente de direção e coreografia, dançarina/solista e coordenadora do projeto Bale Jr. do Bale Folclórico da Bahia. Professora da Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia como técnica da dança afro e dança moderna. Diretora do projeto Encontro dos Artistas.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

VIVADANÇA Festival Internacional realiza segunda etapa do Projeto Yanka Rudzka na Polônia

Numa parceria entre Culture.Pl, Arts Foundation e Fundo de Cultura do Estado da Bahia, artistas da Dança, pesquisadores e gestores culturais realizam seminário, workshops e apresentações de espetáculos

Coreógrafas Lia Robatto e Cristina Castro representam a Bahia na Polônia
Selecionado pelo edital de mobilidade artística 2017, do Fundo de Cultura do Estado da Bahia, a segunda etapa do Projeto Yanka Rudzka segue até o dia 19 de junho, nas cidades de Lublin, Konin, Poznan, destacando que nesta a programação integra o Malta Festival, o mais importante da Polônia.

Bailarinos baianos apresentam solos na Polônia

Nesse intercâmbio, quatro dançarinos baianos apresentam espetáculos solos: “O Olhar do Abismo” (de Neemias Santana), “Arvorar” (Sinha Guimarães), “Meu corpo é feito de samba” (Marcelo Guimarães) e “Dandara ByOnce” (Anderson Danttas). Os artistas também conduziram workshops de Samba de Roda para jovens e adultos, Samba de Gafieira para a Terceira Idade, Capoeira e Dança dos Orixás.
Os artistas ainda apresentam montagem “Semente”, nos dias 16 e 17/06, no Stary Browar, um dos grandes centros de arte do Leste europeu. A montagem é resultado da residência artística entre Bahia e Polônia, na primeira etapa do Projeto Yanka Rudzka, em 2016, com direção de Joanna Leśnierowska e Janusz Orlik, com elenco baiano e polaco.

Nos dias 17 e 18/06, acontece o seminário Yanka Ruzka: Gestos e Traços, também na programação do Malta Festival. O intercâmbio se encerra na cidade de Konin.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Hilda Hilst inspira nova criação com a universidade LIVRE


Hilda Hilst é uma das mais reconhecidas escritoras e poetisas brasileiras. Nascida em Jaú, interior de São Paulo, em 1930, graduou-se em Direito pela USP e, aos 35 anos, mudou-se para a chácara Casa do Sol, próxima a Campinas. Lá, na companhia de dezenas de cachorros, Hilda se dedicou integralmente à criação literária, entre livros de poesia, ficção e peças de teatro. Nos anos 1990, irritada com o pouco alcance de sua escrita, anunciou o “adeus à literatura séria” e inaugurou a fase pornográfica, com os títulos que integrariam a polêmica “tetralogia obscena”. Hilda morreu em 2004, em Campinas.

Depois de estrear "A Besta" - espetáculo dirigido pelo português Graeme Pulleyn, baseado nos autores franceses Antonin Artaud, Alfred Jarry e no romeno Eugène Ionesco - a universidade LIVRE volta os olhares para Hilda em sua nova montagem. Ainda sem data de estreia definida, e peça marca a estreia na função de direção de dois artistas do Vila: o cenógrafo Erick Saboya, responsável pela criação do espaço cênico das peças "A Besta", "Luzes da Boemia" e "Romeu e Julieta", e Vinicius Bustani, ator formado pela LIVRE, que atuou em peças como "Hamlet", "Sete contra Tebas", "Jango: Uma Tragedya" e que, recentemente, retornou de estágio no Theatre du Soleil, em Paris. Os ensaios com os integrantes da LIVRE começaram na última segunda-feira. Acompanhem o processo!

Vem aí: "A Persistência das Últimas Coisas", com direção de Celso Jr., estreia no Vila em setembro


O diretor teatral Celso Jr. surpreendeu até a nossa equipe de comunicação e já publicou, em sua página no Facebook, uma imagem de divulgação do espetáculo "A Persistência das Últimas Coisas", que acaba de entrar em processo de montagem e vai estrear no Teatro Vila Velha no final de setembro. Mas a gente não vai brigar com Celso, não, porque a arte está linda e só nos deixou ainda mais empolgados com essa novidade! Aliás, é mesmo uma vontade do Vila cada vez mais adiantar a programação e abrir venda de ingressos antecipados - com preços especiais - para que o público se programe. Vamos aproveitar essa deixa e colocar o quanto antes os ingressos de "A Persistência das Últimas Coisas" para vender!

Com texto do autor argentino Juan Ignacio Crespo, a escolha reflete o grande interesse de Celso pela dramaturgia contemporânea. Não à toa, o diretor já ministrou aqui no Vila duas edições da oficina "O ator e a dramaturgia do século 21".

"A Persistência das Últimas Coisas" terá no elenco Paula Lice, Igor Epifânio e ainda Vinicius Bustani, ator formado pela universidade LIVRE do teatro vila velha. A peça parte de uma história de abandono entre dois homens que viviam uma relação amorosa há dez meses. Acompanhem!

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Brechó do Vila recebe doações para sua 3ª edição

Depois de mais uma edição de sucesso, o Teatro começa a se preparar para a terceira edição do Brechó do Vila que recebe doações de roupas, acessórios, livros, discos e artigos de decoração. O bazar que já realizou duas edições no Cabaré dos Novos do Teatro Vila Velha promove um encontro com música, comida e venda de artigos com o objetivo de arrecadar fundos para manutenção do equipamento técnico do Teatro Vila Velha.
Quem quiser contribuir com doações pode entregá-las na portaria do Vila Velha, das 8 às 18h ou entrar em contato com o Teatro através do e-mail comunicacao@teatrovilavelha.com.br ou do telefone 3083-4619

terça-feira, 6 de junho de 2017

Espetáculo Barrela retorna em nova temporada em Junho


Após uma temporada de sucesso em maio, o espetáculo Barrela retorna aos palcos do Teatro Vila Velha para novas apresentações. De 8 à 18 de junho, de quinta à sábado as 20h e nos domingos as 19h. A remontagem da obra de Plínio Marcos tem direção de Nathan Marreiro, da Cia de Teatro Gente e comemorou os 10 anos de estreia este ano. O valor antecipado do ingresso é de R$30 e R$ 15 até dia 7 de junho e R$ 40 e R$ 20 após a estreia.
A trama se passa dentro de uma cela, onde os presos Portuga (Ismael Marques), Bahia (Amós Heber), Tirica (Everton Machado), Fumaça (Jhoilson Oliveira), Louco (André Nunes), Bereco (Victor Kizza) e o recém-chegado Garoto (Felipe Velozo) dividem seus dias, suas histórias, seus problemas, suas frustrações, o melhor e o pior de cada um. A tensão entre os companheiros de cela se intensifica depois da chegada do burguês apelidado de Garoto, que seguindo uma prática para alguns tipos dentro da detenção, é estuprado pelos presos. A trama conta ainda com a participação de dois carcereiros interpretados pelos atores Ailson Leite e Daniel Calibam.


O argumento para este roteiro continua verossímil a situação atual da população carcerária do Brasil. Os presos do final dos anos 50, quando o texto foi escrito, comparados com os presidiários dos anos 2007, quando foi encenado pela primeira vez na Bahia e os de 2017, quando a peça ganha uma nova roupagem, continuam sendo os lobos uns dos outros, e continuam sendo engolidos pelo Estado cada vez mais incapaz.
No ano da estreia, Barrela foi indicado ao Prêmio Braskem e concorreu no Festival Ipitanga de Teatro - FIT 2006 na categoria Ator Coadjuvante, com Everton Machado (Gabriela, Compadre de Ogum) e também na categoria de Melhor Espetáculo, levando o de Ator Coadjuvante em ambos os prêmios. Além de Salvador, Barrela causou alvoroço e foi muito bem recebido no Festival de Teatro de Curitiba de 2009, tendo repercussão em toda imprensa baiana e principais veículos nacionais.

A Companhia

Barrela é uma realização da Cia de Teatro Gente, uma Companhia que há quase duas décadas se serve de todas as linguagens – música, dança, circo, artes visuais, gestos, sons, palavras, fogo, água, tecnologia, artesanato, magia, mistérios, impactos – Uma Cia que se encontra exatamente no ponto em que o espírito de um teatro/linguagem/estética conduz a produzir suas manifestações, tendo atores com um perfil investigador que lança mão das convenções do teatro psicológico, moral e social e mergulha no perigo de uma poesia muito difícil e complexa.    

Nas experimentações cênicas a Cia produziu os espetáculos BARRELA, Uma Mulher Vestida de Sol, AMÊSA, No Outro Lado do Mar, FRAGMENTES e Devir – Espíritos Livres, produziu também oficinas, colóquios e fóruns, traduzindo o desejo dos integrantes da Cia que é promover invenções de formas, deslocamento de significações, impressões, tudo o que há no amor, no ciúme, na guerra ou na loucura nos deve ser devolvido pelo teatro.                                      


SERVIÇO:

BARRELA
Teatro Vila Velha.
De 8 a 18 de junho, de quinta-feira a domingo, 20h e 19h no domingo.
R$30 e R$ 15 até dia 7/06 e R$ 40 e R$ 20 após a estreia.



FICHA TÉCNICA:

Direção – Nathan Marreiro
Autor - Plínio Marcos
Elenco – André Nunes, Jhoilson Oliveira, Victor Kizza, Amós Heber,Ismael Marques, Everton Machado, Felipe Velozo, Daniel Calibam. Aílson Leite, Ricardo Gonzada e Franclin Rocha.
Preparação Corporal: Emerson Ataíde
Programação Visual e Mídias Sociais – Ricardo Barreto
Fotografia – Gether Ferreira
Cenário – Nathan Marreiro
Cenotécnico -   Levi Sans
Iluminação – Fernanda Paquelet
Sonoplastia – Paulo Fernandes
Figurino e adereço -  Nathan Marreiro e elenco.
Estudo de Partituras Dramáticas -  Gideon Rosa
Tec.de Luz – Davi Maia
Operação de Som – Davi Maia
Assessoria de Imprensa – Leonardo Parente
Assistente de Produção – EAG (Escola da Arte Gente)
Produção Executiva -  EAG (Escola da Arte Gente)         
Coordenação de Produção – Everton Machado
Realização – EAG/Cia. de Teatro Gente

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Rodas Permaculturais de Conversa levam ao Vila discussões sobre sustentabilidade, desenvolvimento urbano e meio ambiente

Imagem da oficina "Arte de Semear" realizada pelo Instituto de Permacultura da Bahia

A partir do dia 5 de junho, o Teatro Vila Velha passa a sediar encontros mensais para discutir temáticas como sustentabilidade, desenvolvimento urbano e meio ambiente. Realizado pelo Instituto de Permacultura da Bahia (IPB) e pela Toca Ambiental, em parceria com o Vila, o projeto Rodas Permaculturais de Conversa passa a acontecer na primeira segunda-feira de cada mês, sempre às 18:30h, no palco principal do teatro. O tema do primeiro encontro será “Permacultura na Bahia: história, desafios e perspectivas” e o objetivo do projeto é criar um espaço de discussão e troca de ideias envolvendo diferentes setores da sociedade.

O bate-papo terá mediação de Rafael Brasileiro, educador e consultor em Permacultura do IPB e sócio da Toca Ambiental, e contará com a presença de Daniel Frediani, engenheiro ambiental e coordenador do núcleo metropolitano do IPB, que fará uma introdução ao tema da roda apresentando a história do Instituto de Permacultura da Bahia e abrirá o diálogo com o público. A entrada funciona no formato "pague quanto quiser" e os interessados devem confirmar a presença enviando um e-mail para permacultura@permacultura-bahia.org.br ou acessando este formulário. Conversamos com o Instituto de Permacultura da Bahia sobre o evento.

- O conceito de Permacultura surgiu na Austrália, nos anos 1970, vinculado à prática da agricultura, mas com o tempo sofreu mudanças e acabou se expandindo. O que defende a Permacultura hoje?

 
A Permacultura tem um caráter integrador entre o conhecimento científico com o saber popular e faz uma crítica não só ao modelo de agricultura convencional, mas também ao modelo de desenvolvimento econômico, social, cultural e ambiental que gera escassez e competição. A Permacultura defende uma cultura de permanência, baseadas em princípios éticos que geram cooperação e abundância.

- O Instituto de Permacultura da Bahia, fundado em 1992, é a organização mais antiga voltada à prática no Brasil e, nos últimos anos, temas como sustentabilidade, desenvolvimento urbano e meio ambiente são cada vez mais discutidos em diversos ambientes. No entanto, a Permacultura, ao menos como conceito, ainda é pouco conhecida pelo público baiano em geral. Como vocês avaliam essa presença no estado?

 
Há 24 anos o Instituto de Permacultura da Bahia atua como gerador de processos de aprendizagem e transformação social por onde passa. É com esse compromisso que realizamos nosso trabalho. Nesse ano de 2016 a Organização das Nações Unidas concedeu ao IPB o reconhecimento internacional do Programa Dryland Champions pelas ações que foram desenvolvidas no Projeto Águas do Jacuípe que uniu ações de recuperação da caatinga como a implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs) em matas ciliares, de Quintais Agroflorestais e o Enriquecimento de Capoeira e também incluiu o desenvolvimento de tecnologias sociais de uso inteligente da água como por exemplo, a cisterna de produção, a barragem subterrânea e o tanque de pedra.

- Que papel a Permacultura pode desempenhar no espaço urbano, bem como no dia-a-dia de quem vive na cidade?


Os princípios éticos e de design que a Permacultura apresentam um conjunto de possibilidades que para solucionar problemas graves dos urbanos como a questão do destino dos resíduos sólidos, a captação da água da chuva e o reuso das águas servidas.

- O que se espera discutir nessa edição das Rodas Permaculturais?

Esperamos construir juntos uma linha do tempo da Permacultura na Bahia e gerar um debate com a sociedade sobre os desafios e as perspectivas para os próximos anos.

- Este é o início de uma relação entre o IPB, a Toca Ambiental e o Teatro Vila Velha. O que vocês esperam desta parceria?


Esperamos que seja uma relação produtiva do ponto de vista do trabalho e que gere processos de aprendizagem e fortalecimento para ambas instituições.

Saiba mais sobre a cenografia e direção musical do espetáculo "A Besta"

Você sabia que sucatas e materiais de ferro velho serviram como base para a construção do cenário de “A Besta”? A cenografia é assinada por Erick Saboya, artista visual e cenógrafo que desde Romeu & Julieta tornou-se um dos colaboradores da universidade LIVRE no território de espaços. Segundo Erick, os materiais utilizados no cenário da peça exploram a ideia de "um não lugar contraposto com um ex lugar que remete a um banquete abandonado em um salão nobre que ruiu com o Velho Mundo”.

Erick ganhou em 2015 o Prêmio Braskem de Teatro na categoria especial, pela cenografia de “A Bundade Simone”, e atualmente faz parte do Laboratório Vila de Taipa, ambiente colaborativo de estudo de espaços formado em parceria com Márcio Meirelles e Igor Liberato no Teatro Vila Velha.


Piano acústico, lustre, arames, cabides, placas de metal, cabaça, set eletrônico e máquina de escrever são itens do ambiente acústico construído por Ian Cardoso, colaborador da universidade LIVRE, que assina a direção musical do espetáculo A Besta. A peça conta ainda com a execução ao vivo da trilha pelo músico Caio Terra e desenho e operação de som por Gabriel Franco. Resultado da residência artística do diretor Graeme Pulleyn no projeto KCENA, o espetáculo A Besta foi baseado em três textos diferentes ("Ubu Rei", de Alfred Jarry; "O Rinoceronte", de Eugène Ionesco; O Teatro e A Peste, de Antoni Artaud) e por conta dessa montagem demandou a construção de três ambientes sonoros bem distintos.

O ambiente do “Ubu Rei” foi pintado sonoramente com o uso da sucata, que conversa com o cenário de Erick Saboya e o figurino de Tiago Ribeiro. São holofotes de diferentes tamanhos, arames, lustre e algumas placas de metal (uma delas sendo amplificada por uma cabaça) que segundo Ian permitem explorar uma grande possibilidade de timbres. Para o ambiente do texto “O Rinoceronte”, Ian utilizou principalmente o set eletrônico, criou uma faixa única com vários instrumentos e sintetizadores digitais e analógicos, e pelas combinações de um mesmo acorde nos diferentes instrumentos explorou o efeito de mais ou menos tensão na cena. “A intenção foi criar um ambiente mais onírico, no limite entre o sonho e a realidade", conta o músico. Já nos trechos de “O Teatro e a Peste” há sobretudo o uso do piano "a partir de uma pequena melodia que se repete sendo tocada por uma pessoa, enquanto a outra trabalha o piano de maneira não convencional, tocando as cordas internas expostas com um cabide e utilizando a caixa de maneira percussiva", complementa.


O espetáculo "A Besta" realiza últimas apresentações nesta semana: de quinta a sábado, 20h, e no domingo, 19h, no Teatro Vila Velha. Saiba mais e compre seu ingresso antecipado em www.teatrovilavelha.com.br

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Monólogo “Se Deus Fosse Preto” encerra programação das Terças Pretas no Teatro Vila Velha

Espetáculo é o primeiro solo de Sérgio Laurentino, ator do Bando de Teatro Olodum



No dia 30 de maio, às 19h, o espetáculo “Se Deus Fosse Preto” comemora os 40 anos do ator Sérgio Laurentino e encerra a quarta edição das “Terças Pretas”, projeto realizado pelo Bando de Teatro Olodum em parceria com o Teatro Vila Velha.
  
Como seria se o deus cristão, ocidental, cultuado pela maior parte das religiões, desaparecesse? No lugar dele, um deus negro, com outros valores, outra doutrina e outro templo. O espetáculo "Se Deus Fosse Preto - O Legado de LHOID" percorre inúmeras reflexões sobre a vida, a fé, a humanidade e culmina nessa situação hipotética.

O espetáculo tem como personagem central Lhutam Omí Imbó do Dendê -LHOID, homem negro preso injustamente pelo assassinato de sua filha e de sua esposa. Durante o tempo no cárcere, ele escreve textos que, após a sua morte, se revelarão como base para a criação de um novo paradigma mundial. Em pouco tempo, as ideias de LHOID ganham repercussão absurda e tornam-se a nova religião universal. Com elementos de ficção científica, o texto faz um percurso até os anos 3.000, revelando surpresas de um mundo que viu a queda das religiões vigentes e o surgimento de um novo messias.

Sergio Laurentino integra o Bando de Teatro Olodum desde 2000 e já atuou em espetáculos como "Bença", "Áfricas", "Cabaré da Rrrraça", "Dô" e "Jango: Uma Tragedya" Erê. Em maio de 2015, deu vida ao personagem Paulo Sultão na minisérie "O Caçador", seu segundo trabalho na Rede Globo, após a série "Ó  Paí Ó!". No cinema, atuou no filme "Besouro, de João Daniel Tikhomiroff, e "Jardim das Folhas Sagradas", de Pola Ribeiro, além do longa "Tropikaos", do diretor Daniel Lisboa, e Tungstênio, do diretor Heitor Dhalia que será lançado em breve.

Serviço:

Se Deus Fosse Preto - Monólogo de Sergio Laurentino
30 de maio | terça | 19h
R$ 20 (inteira) e 10 (meia)
Local: Teatro Vila Velha - Av. Sete de Setembro, s/n, Passeio Público, Campo Grande, Salvador-BA - contato: 30834600 / www.teatrovilavelha.com.br

terça-feira, 23 de maio de 2017

Os Argonautas apresentam leitura da peça "Em Família", de Vianinha




Texto de Vianinha, criador da série “A Grande Família”, será dirigido por Marcelo Flores

O palco do Teatro Vila Velha recebe na próxima segunda-feira, 29 de maio, às 19h30, a leitura encenada do texto “Em Família”, de Oduvaldo Vianna Filho, mais conhecido como Vianinha, realizada pela Companhia de Teatro Os Argonautas. A leitura, dirigida por Marcelo Flores, integra a sexta edição do projeto Clube da Cena, espaço de pesquisa e laboratório teatral mantido pela companhia.

Em 2016, Vianinha completaria oitenta anos. Não fosse por sua morte precoce aos 38 anos, Oduvaldo Vianna Filho certamente seria hoje uma unanimidade, consagrado para o grande público que o conhece mais como o criador da série A Grande Família, um dos maiores sucessos da TV brasileira em todos os tempos. Sua obra compõe um painel humanista, carregado de tintas poéticas e políticas, com buscas de renovação estética formal, refinamento e humor. Sua obra é um misto de denúncia social e dissecação do mundo íntimo dos indivíduos nos embates da relações amorosas, familiares e profissionais, em meio à sociedade de consumo e de um sistema econômico opressor e desumano.

"Em Família" foi escrita em 1971 e apresenta o casal de idosos (Dona Lu e Seu Sousa) que são despejados da casa onde moravam por não ter condições financeiras para mantê-la. Dessa forma, Vianinha expõe o problema do sistema previdenciário, e ao mesmo tempo denuncia as dificuldades de se viver em uma sociedade onde o trabalho é imprescindível, marginalizando os idosos. Após um encontro com atriz Eva Todor e uma conversa sobre o problema da velhice, Vianinha escreve uma primeira versão do texto em cinco dias, a fim de cumprir o prazo da Comissão de Teatro para que o patrocínio fosse concedido. Foi Sérgio Britto quem havia pedido a Vianinha para que ele realizasse uma adaptação para TV do roteiro do filme "Make way for tomorrow", sucesso dos anos 30.

Do roteiro, foram retirados apenas os elementos para construir uma história original sobre os pais idosos cujos filhos não têm como prover a moradia e a sobrevivência. O texto teve montagens antológicas dirigidas por Sérgio Britto (com Eva Todor e André Villon ), Antunes Filho (com Paulo Autran e Carmen Silva) e a mais recente por Aderbal Freire Filho rebatizada de "Vianinha conta o último embate do homem comum”.
A idéia de levar o texto à cena partiu de Harildo Deda, que encabeça o elenco da leitura encenada ao lado de Neyde Moura, como o casal de idosos que ficam repentinamente sem moradia, cujos filhos são vividos por Carlos Betão, Alethea Novaes , Celso Jr e Andréa Elia. Fernando Neves, Márcia Andrade, Socorro de Maria, Valéria Fonseca e George Vladimir interpretam os amigos, vizinhos e outros membros desta família brasileira típica, em sua luta cotidiana na conjuntura sócio-polítco-econômica do Brasil nos anos 70.

Serviço:

Leitura encenada da peça "Em Família", de Vianinha
29 de maio, segunda-feira. 19h30
Pague quanto quiser
Teatro Vila Velha


quarta-feira, 17 de maio de 2017

Arte em Língua Portuguesa: Projeto de teatro lusófono apresenta espetáculo "A Besta" em Salvador

Foto Luma Flôres

Promovendo o intercâmbio entre Brasil, Portugal e Cabo Verde, projeto K Cena realiza espetáculo de diretor britânico radicado em Portugal com jovens atores baianos.

Entre os dias 25 de maio e 4 de junho, no Teatro Vila Velha, o público soteropolitano vai poder conhecer o resultado da quarta edição no Brasil do projeto K Cena, que promove o intercâmbio artístico entre Brasil, Portugal e Cabo Verde.  O espetáculo "A Besta" surge da residência artística de Graeme Pulleyn, diretor britânico radicado em Portugal, com integrantes da universidade LIVRE do teatro vila velha, programa de formação de atores do Vila, e permanece em cartaz de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 19h.

Criada a partir de três importantes autores da dramaturgia mundial, o espetáculo é uma espécie de coquetel de anarquia, ironia, surrealismo e provocação, segundo o diretor Graeme Pulleyn. "O Rinoceronte", obra mais conhecida do romeno Eugène Ionesco, ícone do Teatro do Absurdo, narra a história de uma vila que tem os seus habitantes transformados aos poucos em rinocerontes, com única exceção do protagonista, Bérenger, que consegue resistir à espécie de peste. "Ubu Rei", do autor francês "Alfred Jarry", busca inspiração em Macbeth, clássico de William Shakespeare, para narrar a grotesca história de Ubu, personagem que junto a sua esposa usurpa a coroa do país e conduz um governo bárbaro, violento e repressor. Já "O Teatro e a Peste", do dramaturgo francês Antonin Artaud, trecho da obra "O Teatro e seu Duplo", discute os efeitos da peste na sociedade e propõe um teatro que, assim como a peste, crie possibilidades de novas formas de estar na vida.

"Todos são textos escritos ou estreados em França entre finais do século XIX e meados do século XX. Cada texto, à sua maneira, marca um momento revolucionário na estética teatral mundial. Jarry rebenta com todas as convenções, Artaud lidera o movimento surrealista e Ionesco acaba por ser um dos principais porta-vozes do Teatro do Absurdo", explica o diretor, que tem trabalhado com o elenco desde o último mês de abril.

Teatro e Língua Portuguesa

A língua portuguesa é falada por 255 milhões de pessoas, espalhadas por nove países que a possuem como idioma oficial, além de diversas outras regiões do globo. Entre as iniciativas que promovem o intercâmbio entre países da lusofonia - como é chamado o universo composto de quem fala português - destaca-se o K Cena, iniciativa do Teatro Viriato (Viseu) que promove criações artísticas entre Portugal, Brasil e Cabo Verde, tendo como parceiros o Teatro Vila Velha, em Salvador, e o Instituto Camões/Centro Cultural Português – Pólo do Mindelo, de Mindelo, Cabo Verde.

O K Cena foi criado para investir na formação de jovens atores lusófonos e tem promovido a criação artística de diversos espetáculos, sempre a partir do trânsito de diretores lusófonos pelos três países. Apenas no Teatro Vila Velha foram criados "Quarto do Nunca" (dirigido pelo caboverdiano João Branco em 2013), "DQ2014" (dirigido por Graeme Pulleyn em 2014) e "DO-EU" (dirigido por João Branco em 2015). Nesse mesmo período, os diretores Marcio Meirelles e Chica Carelli, artistas do Teatro Vila Velha, também montaram espetáculos em Cabo Verde e Portugal.

Esta nova edição do K Cena teve início em agosto de 2016, quando Graeme Pulleyn trabalhou durante uma semana com os atores da universidade LIVRE. "Foi o pontapé de saída para esta nova montagem do projeto", conta Pulleyn, que lembra que, em 2017, já foram montadas as peças "Somos Todos Ubu", dirigida pela BRASILEIRA Chica Carelli em Cabo Verde, e "Ubulândia", dirigida pelos caboverdianos Paulo Miranda e João Branco, em Portugal.

A montagem dialoga com o turbulento tempo de hoje, tomado por novas crises políticas e sociais a cada novo dia, em todo o mundo, e faz o público lembrar o caráter cíclico da história. "Cabe a nós enfrentar as bestas deste mundo e viver as crises das pestes dos nossos tempos como aquilo que são: uma oportunidade para reinventar, rejeitando a podridão e acreditando que algo melhor pode nascer no seu lugar", propõe o diretor Graeme Pulleyn.

“Esses textos são muito próprios para este momento que estamos vivendo no mundo, mas especialmente no Brasil”, diz Marcio Meirelles, coordenador da universidade LIVRE. “Eu estava decidido a montar Ubu no segundo semestre, mas, como Chica e Graeme sugeriram que fosse o texto trabalhado neste ano pelo K Cena, abri mão, achei pertinente”, comenta.

A cenografia da montagem é concebida por Erick Saboya, que desde 2016, a partir da peça "Romeu & Julieta", dirigida por Marcio Meirelles, é um dos colaboradores da universidade LIVRE do teatro vila velha. "Um não lugar contraposto com um ex lugar é o mote espacial para o cenário de A Besta. O espaço cênico vai remeter a um banquete abandonado em um salão nobre que ruiu com o Velho Mundo. Raspas e restos sobre um monólito enferrujado serão palco da tentativa de manter os padrões que nos trouxeram até aqui, porém que a peste consumiu e são agora a única esperança de uma nova realidade", conta Saboya.
O Teatro Vila Velha é gerido pela Sol Movimento da Cena e, para sua manutenção, conta com o apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia através do Fundo de Cultura.

Serviço:

"A Besta" | Projeto K Cena 2017
25 de maio a 4 de junho 
quinta a sábado (20h) e domingos (19h)
Teatro Vila Velha
Ingressos: 
R$ 20 e 10 (às quintas-feiras)
R$30 e 15 (sexta a domingo)
Vendas pelo site www.teatrovilavelha.com.br ou na bilheteria do teatro