Espetáculo "FRONTEIRAS" estréia em Julho

 Foto Mario Edson


do dramaturgo argentino Santiago Serrano
com Lúcio Tranchesi e Rafael Magalhães
direção Luis Alonso

O Oco Teatro Laboratório, nos festejos dos seus 10 anos, estreia no próximo dia 13 de julho (12 de julho pré-estreia), no Teatro Vila Velha, sua nova montagem, a peça “Fronteiras”, do dramaturgo argentino Santiago Serrano. Em cena os consagrados atores Lúcio Tranchesi e Rafael Magalhães, sob a direção de Luis Alonso, interpretam dois homens que decidem  atravessar uma “fronteira”, mas ficam aguardando serem atendidos para poder cumprir com os rituais burocráticos que permitem passar para o “outro lado”. O atendimento nunca acontece e eles ficam aguardando...

A existência deles neste lugar atravessa o discurso dos limites na vida, a morte, o pensamento, a sexualidade, as lembranças, os preconceitos, a existência do ser social, a realidade, os sonhos e tudo permeado pela eterna espera. O espetáculo faz parte do projeto INTERFACE 01662 (10 Anos Oco Teatro Laboratório), do Oco Teatro Laboratório, contemplado no Edital Grupos e Coletivos Culturais através da FUNCEB / SECULT - Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

Dramaturgo e diretor teatral argentino, psicanalista com larga atuação em Psicodrama, tem estado em contato permanente com o Brasil onde já realizou estudos na área de teatro com  Augusto Boal e participou de eventos relacionados à cena teatral em São Paulo, Pará e Brasília. A temporada segue até 23 de julho, sempre de quarta a domingo. De quarta a sábado, às 20h e aos domingos, às 19h. Ingressos: quartas  R$ 20,00 e R$ 10,00 e de quinta a domingo R$ 30,00 e R$ 15,00.

Oco Teatro Laboratório
Grupo de teatro que surge no ano 2006 com base na pesquisa do trabalho do ator. Com princípios de trabalho com a presença do ator, tem desenvolvido diversos trabalhos que tem percorrido cidades do Brasil, América Latina, Estados Unidos e Europa. O grupo desenvolve diversos projetos como o Festival Latino-Americano de Teatro da Bahia (FilteBahia), o Núcleo de Laboratórios Teatrais do Nordeste (Nortea), a Revista Boca de Cena e as Coleções Dramaturgia Latino-Americana e Teoria Teatral Latino-Americana.


AS FRONTEIRAS DE LUIS ALONSO
“O processo de criação de “Fronteiras”, tem sido um percurso de ressignificações, improvisos, acordar lembranças guardadas e empoeiradas pelo tempo e o duro ofício de subsistir em outras terras. Mas também tem sido um espaço de rico intercâmbio com dois atores talentosos, de trajetória internacional, Rafael Magalhães e Lúcio Tranchesi. Revisitar metodologias do trabalho do ator, voltar a Stanislvaski, este trabalho tem sido desafiador pois é cheio de particularidades e minucias, de pequenos detalhes.
Suspender o sentimento e voltar a colocar ele no lugar das novas formas de representação. Há inspiração em uma aura cinematográfica, onde cada vez que fazemos menos em cena, onde cada vez que estruturamos cadeia de ações lógicas, construímos um tecido sólido para colocar o grande absurdo que é a vida mais do que o grande absurdo como gênero teatral. Duas pessoas confinadas à espera, ao nada, tentando atravessar uma fronteira de diversos significados.

Eu particularmente tive de atravessar muitas fronteiras na minha vida. Elas me ensinaram a quebrar a dura sensação de emigrante, a dura sensação de abandono daquilo que não podes ou não queres viver mais e acabaram se instaurando na minha vida num não-lugar permeado pelo não pertencimento. É duro, mas é belo, pois você se despoja de pertences materiais e espirituais. No entanto há um pacote, uma mala que nunca te abandona, a das lembranças. Elas trabalham num terreno do subconsciente e ajudam a agir no presente e a lidar com as ausências!
Trabalhar com profissionais de excelência como Zuarte Jr no cenário. Descobrimos juntos a limpeza dos objetos e o desempoeiramento das formas. Uma luminária não é mais do que isso, uma luminária, aquela que não tem memória, que não tem lugar. Esse é o mais claro exemplo da concepção proposta nesta parte da criação.Hamilton Lima veio pra fazer o figurino e o sentido do cinema está muito presente, como um espaço também de despersonificação. É muito difícil chegar a este conceito, pois de qualquer maneira tudo o que é colocado em cena gera significados e o público e nós temos a maldita herança reducionista de ter de fechar entendimentos, sejam eles lógicos-cronológicos ou dispersos, fragmentados. Mas também tem sido um processo belo de estruturação da cena.
Haverá elementos mais desafiadores, que não conseguimos enxergar a priori, somente quando estamos com todo o material de cena em "ação". Aí se inclui a parte da multimídia. Maise Xavier, com sua já longa experiência em vídeo e cinema, estrutura formas mais explosivas. Penso que serão dentro do espetáculo o recurso mais direto, de discurso mais concreto, no entanto também joga muito com esse pensar o ser humano como um objeto medido, testado, pesado, avaliado, julgado... essa é um dos desafios desta ferramenta em “Fronteiras”.
Outro grande profissional que nos apoia é Mario Edson, um fotógrafo de reconhecida trajetória, com um olhar certeiro e uma capacidade de captar sensações das quais todos nos surpreendemos.
Mas tudo isto não seria possível sem aquela pessoa que me ajuda a tecer estas estruturas no dia a dia, na discussão constante que é a assistente de direção Andrea Mota. Ela é atriz fundadora do Oco Teatro e já conhece profundamente meu estilo de trabalho e as minhas desavenças com o palco, minha constante luta com a rigidez da cena e suas imposições. Ela tem sido um apoio total, sincero e leal neste percurso!
Agora só falta começar a fechar todas as estruturas e trabalhar para a estreia. Ai entra a Doris Pinheiro, essa profissional do jornalismo que cutuca as nossas estruturas e aí começamos a enxergar que tudo ainda não está pronto, que sempre há de se repensar pois a finalidade do nosso trabalho é para o público, além da nossa autossatisfação criativa, é para eles que nós trabalhamos, e esse discurso é objetivado através de uma divulgação séria e consistente, de respeito às artes cênicas em específico. Pois somos um segmento, que nos custa muito trabalho de expandir em meios de comunicação e Doris contribui imensamente para este trabalho com profundo conhecimento.
Todo este processo me faz pensar cada vez mais que por muito que o teatro friccione a linha ténue que o "separa" da vida, ele terá de manter, ainda que em perpétua mudança, ferramentas que o separem da percepção cotidiana, e lhe permitam continuar sendo através da recepção, uma obra de arte para contemplar e pensar a nossa existência.”

AS FRONTEIRAS DE LUCIO TRANCHESI
“Este é um espetáculo enigmático que remete a muitas possíveis fronteiras e que de forma metafórica apresenta estes dois "migrantes" em uma situação limite com suas impressões sobre quem são, que memórias carregam e como se sentem em não pertencer a nenhum lugar.  São dois homens diferentes com anseios de serem respeitados e aceitos em um lugar imaginado, um estado que os respeite como cidadãos, que os dignifique como pessoas. Presos num não lugar onde sonhar e lembrar de onde vieram os mantém vivos. Sonhar para não morrer, lembrar histórias mesmo que não sejam suas os faz continuar a acreditar. Um desafio como ator sempre é cada novo trabalho porém este traz nuances sutis de interpretação que não tem nenhum artifício além da compreensão desta condição humana.”

AS FRONTEIRAS DE RAFAEL MAGALHÃES
“Eu temo que a realidade não seja lógica. O sem sentido que vivemos é a realidade”
Antes de iniciar esse processo, eu não sabia se reconhecia alguma fronteira, se estava numa, ou se sequer, ela existia. Pois bem! existe e são muitas. Me dei conta que aos 50 anos atravessei muitas fronteiras físicas, e outras tantas que a vida me impôs é claro, outras que eu mesmo escolhi. O teatro é uma delas, tanto no seu conhecimento, quanto na sua realização, uma fronteira cheia de prazeres e desprazeres, mas a que escolhi e não gostaria e nem quero abandoná-la. Cada espetáculo, cada personagem, cada desafio, são fronteiras que atravesso e atravessarei.
O espetáculo “Fronteiras” me foi apresentado por Luís Alonso, diretor com quem venho trabalhando há mais de 10 anos, o qual tenho como grande referência no nosso ofício. Pois bem, estava no limiar de uma fronteira cheia de incertezas e inconformidades pessoais e vi nesse espetáculo a possibilidade de atravessar e romper com os meus limites, limites esses imaginários e com certeza tão reais. Um texto do argentino Santiago Serrano, cheio de metáforas e tão atual, porém, desafiador. Sabia o quanto me desarrumaria, mais ao mesmo tempo me arrumaria enquanto ideais, certezas e sentimentos.
E ali estava eu, com um personagem, complexo e livre, angustiado e decidido, analítico e sonhador, descrente e sensível, que fala um pouco de mim, e ao mesmo tempo que me ensina os limites do ilimitado, um grande personagem para um ator que sempre se sente inseguro, ao mesmo tempo, persistente na criação artística que faz parte do meu ser e da minha essência.
Acredito em todas as pessoas que estão nesse processo, busco a minha verdade, sempre através dos que acredito e admiro, o espelho me crítica, me aconselha, porque me reflete o momento que me coloco refletido. Não tenho nenhuma certeza do certo, mas tenho a certeza no que venho me dedicando nesse meio século de vida, o teatro, o nosso teatro.
Agradeço a Luís Alonso por aceitar o meu pedido e estar comigo nessa caminhada, a Lucio Tranchese pela cumplicidade e generosidade, a Andrea Motta pelos olhares e ouvidos, a Zuarte Junior, Hamilton Lima, Maise Xavier, Doris Pinheiro, Marcos Marmund e Adriano Passos por emprestarem suas criatividades no entendimento e realização deste espetáculo.
E por fim, agradeço a mim mesmo por aceitar esse desafio como ator e principalmente a este personagem por me colocar e clarear meus extintos e sentimentos.
Será? Será? Até porque!
“Meus sonhos são tão vivos e tenho corrido atrás de uma outra fronteira que inexoravelmente, foge de mim.”

FRONTEIRAS
DURAÇÃO - 60 minutos
LOCAL - Teatro Vila Velha
DATAS – de 12 a 23 de julho - quartas, quintas, sextas e sábados às 20h e domingos às 19h HORA - 20 horas

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